terça-feira, 30 de junho de 2015

Resenha | A Raiva Vermelha - Victoria Aveyard

O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso… Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe - e Mare contra seu próprio coração.

Criar expectativas acerca de um livro pode ser algo extremamente perigoso. Porém se tratava de algo inevitável quando, antes mesmo de seu lançamento nos Estados Unidos, A Rainha Vermelha teve seus direitos de adaptação comprados e diversos rumores a respeito da mesma começaram a circular pela internet. Não é preciso comentar que o livro que se propunha falar a respeito de uma garota especial num mundo distópico acabou criando um burburinho gigantesco, certo? 

Pois bem. Distopias encontram-se, em sua maioria, perdendo o número de leitores, pois os mesmos alegam estarem vendo "mais do mesmo" em cada obra publicada recentemente. Existe uma esperança de que aquele livro que está em nossas mãos seja diferente e apresente a tal singularidade que tanto procuramos. Infelizmente, a história de Mare Barrow acabou caindo em alguns clichês e exibindo situações (e até mesmo desfechos) previsíveis.

Não, o livro não é ruim. Mas acho que muitos dos que já tiveram contato com a obra de Victoria Aveyard vão me entender quando falo que poderia ter sido melhor e que, muito provavelmente, seria um dos meus favoritos caso sua leitura tivesse ocorrido alguns anos atrás. A autora usou fórmulas muito similares àquelas que vemos em Jogos Vorazes, A Seleção e Trono de Vidro, o que resultou numa trama cujo rumo se tornou bastante claro antes mesmo de estar se aproximando do fim.

Entretanto, o mundo criado por Aveyard é agradável e as divisões hierárquicas são interessantes a ponto de prender o leitor ao longo de sua narrativa que, apesar um problema ou outro, é cativante e flui muito bem de acordo com a história proposta. E a condição de Mare Barrow é intrigante, fazendo com que a curiosidade também seja um fator motivacional para a leitura.

"Você é vermelha e prateada, e mais forte que ambos."

Se Mare Barrow fosse o tipo certo de protagonista, muitas coisas teriam funcionado de forma melhor. Mas estou admitindo que esse foi seu momento para fazer escolhas erradas e confiar em quem não deveria; foi seu tempo de crescer. Espero que no próximo livro ela consiga mostrar mais maturidade e também personalidade, o que resultará numa trama infinitamente melhor, pois tudo está em suas mãos.


No fim do dia, A Rainha Vermelha é uma leitura proveitosa que segue os mesmos clichês de sempre e, graças a isso, consegue atingir sucesso instantâneo. Adoraria que Victoria Aveyard saísse de sua zona de conforto e se propusesse a arriscar mais: nada de romances e sentimentos forçados ou frases de efeito mal colocadas, mas sim uma narrativa inebriante a respeito desse universo prateado e vermelho.

12 comentários:

  1. Oi, Fernanda
    Eu fiquei morrendo de vontade de ler esse livro após ouvir falar dele, exatamente por achar que ele não seria mais do mesmo, como todas as outras distopias estão se tornando. Graças a sua resenha agora não irei com tanta expectativas ler o livro, quem sabe assim acabo não me decepcionando?
    Beijos.

    Diário de uma Bloggeira | Facebook

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  2. Nunca tive contato com a Victória, mas confesso que estou de saco cheio de distopias. Uma hora tudo cansa. Do mesmo jeito que vampiros cansaram, anjos cansaram agora as distopias estão cansando. Precisamos de algo novo, ta na hora de reinventar a fórmula mesmo.

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  3. O livro já nao me atraia por ser uma distopia, nao que eu nao goste de distopias. Eu ate gosto, mas acho exatamente aquilo que vc falou "mais do mesmo" e fico triste de ver os autores se arriscarem tão pouco, ainda espero encontrar uma distopia que me surpreenda.

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  4. Sabe que você é a primeira pessoa que vejo dando 3 estrelas para o livro?
    Lógico, cada um vai ter uma opinião diferenciada né? Mas mesmo assim estou bastante curiosa para fazer a leitura desse livro, pois o comprei na pré venda e ele já está aqui comigo. Espero poder gostar bastante da história, porque pela maneira que você falou me parece bastante interessante. E também por conta de outras resenhas que já li. Enfim...Vamos ver né? =]

    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2015/06/resumo-do-mes-junho.html

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  5. Se a leitura me prende no começo e me cativa no desenvolvimento eu quero ler. Aliás a sinopse me conquistou, daria uma chance tranquila ao livro
    Beijos
    Ingrid

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  6. Nossa menina, acho que foi ótimo eu ter lido sua resenha. Li uma outra tão elogiosa que me deixou super alvoroçada e com altas expectativas! Foi bom ler uma resenha mais "pé no chão" para diminuir minhas expectativas. Quem sabe dessa forma até gostarei mais do livro!

    Infinitos Livros

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  7. Oi Fernanda, gosto de livros previsíveis, gosto de clichês também e na verdade poucos livros deixei de ler...rsrsrs Acho que gosto de tudo, ainda mais quando envolve castelos, reis, rainhas, príncipes e princesas. Pelo que li acima, me parece um livro que eu amarei ler, gosto muito do tema e me faz relaxar e ter bons momentos de leitura. Esse vai para meus desejados, adorei sua resenha!
    Beijo
    Mila - Scraplivros

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  8. Pela sinopse me lembrou um pouco A Joia, (que me disseram se parecer com A Seleção que ainda não li) que gostei bastante de ler! Eu particularmente gosto de livros assim, me animei a ler, gosto de romances clichês, sou fã de Jogos Vorazes, gosto da formula!! rsrs
    Ótima resenha, adorei!

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  9. Oii!

    Só pela capa já gostei do livro rsrs
    Parabéns pela resenha!
    Com certeza vou ler esse livro :)

    Beijos, Amanda ^^
    www.vicio-de-leitura.com

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  10. Oi Fernanda, tudo bem?

    Realmente, criar expectativas é algo muito perigoso mesmo... várias vezes já me decepcionei com livros que estavam em alta... mas as vezes é inevitável mesmo criar essas expectativas. Bom, distopias realmente seguem uma linha de escrita, e poucas coisas mudam, mas adoro esse gênero e gosto muito de como seus mundos distópicos são construídos, e acho que é isso que difere uma distopia da outra. Quero muito conferir esse livro, mas entendo os pontos que você destacou na sua resenha.

    Estou seguindo o blog.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  11. Olá,
    Gostei da sua resenha e fiquei bem curioso com a história mas também desapontado por saber que cai no mesmo clichê dos livros semelhantes.
    Abraços,
    Matheus

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  12. Olá! Tudo bem?

    Eu vi muito sobre esse livro em vários sites e blogs, mas, apesar de tudo, não tive curiosidade de nem ler a sinopse.

    Agora que li, vi que apesar de ser uma distopia, (gênero que aprendi a amar), não me interessa.

    Acho distopias bem legais, mas, isso que você disse acaba desanimando mesmo na decisão de escolher uma para ler. Os autores acabam, as vezes, usando a mesma formula e torna tudo muito repetitivo.

    Beijos e até!

    www.dreamsandbooks.com

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