quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Resenha | Love: A História de Lisey - Stephen King

Lisey Landon compartilhava uma intimidade profunda e às vezes assustadora com seu marido, Scott, um escritor célebre e cheio de segredos. Um desses segredos era a fonte de sua imaginação, um lugar com a capacidade de curá-lo ou destruí-lo. Agora, dois anos depois da morte de Scott, chega a vez de Lisey enfrentar os demônios de seu marido, embarcando em uma perigosa viagem na escuridão que ele habitava. Love é uma parábola sobre a imaginação e o amor, e sobre o poder do amor de transformar e de salvar.




Tenho o costume de escolher livros ao acaso sem nem ler sinopse. Gosto da sensação do desconhecido e de descobrir tudo durante a leitura. E o título deste livro me deixou intrigada, afinal Stephen King não escreve romancezinhos.

Existe muito amor neste livro. O amor de uma esposa que ama incondicionalmente o homem com quem casou, e o amor de um marido que ama incondicionalmente a mulher que o salvou de si mesmo diariamente durante boa parte de sua vida. A dedicação de Lisey como esposa me tocou profundamente, talvez por eu mesma ser dedicada à pessoa que amo da mesma maneira. A maneira como ela se doa sem esperar nada em retribuição, como ela se torna uma leoa quando o marido está em perigo, até mesmo as coisas das quais ela abdica simplesmente porque o amor que existe em seu casamento é o suficiente para sua felicidade. A quantidade de amor existente nesta obra é de uma sutiliza que poucos conseguem captar, e menos pessoas ainda são capazes de compreender. (E não quero saber de ninguém vindo me dizer que abdicar de coisas pelo relacionamento é sinônimo de relacionamento abusivo. Ouvi um caso sobre isso um dia desses e fiquei doida de raiva. Hoje em dia tudo é muito preto no branco, as pessoas esqueceram que a vida é cheia de variáveis e sutilezas, principalmente os relacionamentos).

Love” não tem só amor, porém. Tem muita tristeza, dor, sofrimento, traumas e tudo mais que nos lembra que a vida não é um conto de fadas. Ainda mais uma vida criada por Stephen King, que além dos dramas e desafios comuns, ainda tem uma boa dose de coisas que passam bem longe da realidade de pessoas “normais”.

Se atendo ao que eu considero uma das marcas registradas do autor, nossa protagonista sai dos padrões encontrados por ai. Desta vez é a viúva cinquentona de um grande escritor que acompanharemos por centenas de páginas em relances de seu casamento e de sua realidade agora que seu companheiro se foi, até um desfecho completamente imprevisível. Como sempre também, a leitura se mostra um pouco parada nas primeiras páginas. Sinto isso em todos os livros de King, mas uma vez que você engatilha (quem ler o livro pega essa referência) é impossível parar. Você simplesmente sente essa necessidade de saber o que ao acontecer e saber JÁ!

Fragmentos da vida de Lisey se misturam com histórias de gelar o sangue e fazê-lo ferver ao mesmo tempo do passado de Scott, seu marido. Há aquele dinamismo maravilhoso na construção do texto que só Stephen King consegue alcançar ao colocar frases e palavras soltas aqui e ali relacionadas ao que está acontecendo, da forma exata como acontece em nossos pensamentos. Pessoas desatentas podem acabar se perdendo com isso, ou como a forma com que presente e passado se misturam o tempo inteiro, portanto recomendo atenção.


Dou nota cinco, porque apesar do começo paradinho da viúva lidando com as quinquilharias que o marido deixou, tudo fica muito maluco muito rápido e ai já era, sua alma pertence ao livro. Não percebi nenhuma conexão com “A Torre Negra” como percebo acontecer em muitas obras que a princípio não em nada a ver com a série, mas a história é bastante cativante (porém talvez pense assim apenas porque me identifiquei muito com os sentimentos de Lisey). A parte real é muito boa, mas a surreal é simplesmente incrível. Acredito sinceramente que qualquer um eu não goste nem mesmo um pouquinho desde livro merece um encontro com o garoto espichado em Boo’Ya Moon (peguem mais essa referência).

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