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Resenha | O Nome do Vento - Patrick Rothfuss

quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso.
Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.
Quando esses seres do mal reaparecem na cidade, um cronista suspeita de que o misterioso Kote seja o personagem principal de diversas histórias que rondam a região e decide aproximar-se dele para descobrir a verdade.
Pouco a pouco, a história de Kote vai sendo revelada, assim como sua multifacetada personalidade - notório mago, esmerado ladrão, amante viril, herói salvador, músico magistral, assassino infame.
Nesta provocante narrativa, o leitor é transportado para um mundo fantástico, repleto de mitos e seres fabulosos, heróis e vilões, ladrões e trovadores, amor e ódio, paixão e vingança.

Depois de “O Senhor dos Anéis” e “As Crônicas de Gelo e Fogo”, a trilogia de Patrick Rothfuss é um sopro de ar fresco para os amantes desta vertente da literatura. 

Ao ler o prólogo, meu coração de leitora acelerou imediatamente, e aquelas primeiras palavras foram o suficiente para me apaixonar para sempre. “O Nome do Vento” é o primeiro volume da trilogia que, na minha humilde opinião, completa a santíssima trindade das aventuras épicas.

(...) O homem tinha cabelos ruivos de verdade, vermelhos como a chama. Seus olhos eram escuros e distantes, e ele se movia com a segurança sutil de quem conhece muitas coisas.
Dele era a Pousada Marco do Percurso, como dele era também o terceiro silêncio. Era apropriado que assim fosse, pois esse era o maior silêncio dos três, englobando os outros dentro de si. Era profundo e amplo como o fim do outono. Pesado como um pedregulho alisado pelo rio. Era o som paciente – som de flor colhida – do homem que espera pela morte.

Após o prólogo de arrepiar até o menor cabelinho da nuca, devo admitir que os primeiros trechos me pareceram maçantes e demorei um pouco a vencer as primeiras páginas. São introduzidos os três personagens que nos acompanharão por toda a narrativa no tempo presente num ambiente que, embora na superfície pareça simples e monótono, é conturbado e perigoso ao segundo olhar. Porém logo o relato das aventuras do passado de Kvothe se inicia, e deste momento em diante é impossível abandonar a leitura.

O autor sabe dosar perfeitamente os acontecimentos sombrios da vida do jovem artista de trupe com alívios cômicos que são na maioria bastante sarcásticos. Ao longo de três dias o hospedeiro simplório desfia as aventuras incríveis de Kvothe, acontecimentos que só um personagem tão complexo e bem construído seria capaz de viver.

Sempre ambicioso e determinado, nosso jovem herói nunca se esquece de seu passado e de seu desejo de vingança do acontecimento mais marcante de sua vida: o assassinato de toda sua família na infância pelo misterioso grupo chamado Chandriano, o tipo de episódio que o leitor já sabe desde o início como termina, mas não consegue evitar torcer para que tudo dê certo ou se chocar quando o pior realmente acontece. Com a incessante busca de conhecimento sobre o inimigo para melhor enfrenta-lo no futuro como plano de fundo, as peripécias mais absurdas são protagonizadas pelo jovem ruivo, que logo se torna uma lenda conhecida por todos os Quatro Cantos da Civilização.

É uma aventura que vale a pena acompanhar e uma paixão instantânea da qual é impossível se arrepender.


Dou nota cinco porque a narrativa das aventuras é dinâmica e a leitura bastante fácil e cativante; apesar dos primeiros trechos serem um pouco parados, logo isso é tão bem compensado que você nem lembra mais desse detalhe. Além disso, a construção do texto é incrível, Patrick Rothfuss escolhe tão bem as palavras que consegue transformar prosa em poesia.


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