sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Review | Me and Earl and the Dying Girl


Greg (Thomas Mann) está levando o último ano do ensino médio o mais anonimamente possível, evitando interações sociais, enquanto, em segredo, está fazendo animados filmes bizarros com Earl (RJ Cyler), seu único amigo. Mas tanto o anonimato quanto a amizade dos dois é abalada quando a mãe de Greg o força a fazer amizade com um colega de classe que tem leucemia.


NOTA: Essa é a review de um filme, um filme que na verdade é uma adaptação. Então, antes de arriscar-se por aqui, aconselho fortemente que leia a resenha do livro, ao menos a nível de curiosidade, para que entenda alguns pontos comparativos entre ambos.

Vamos ao que interessa. Me and Earl and the Dying Girl é um caso muito específico de adaptação que se saiu melhor que o livro, o que pode ser bem irônico, considerando esse trecho da obra original de Jesse Andrews: 

[...] não quer dizer que eu vou fazer deste livro um filme. De jeito nenhum isso vai acontecer. Quando você converte um bom livro em filme, coisas idiotas acontecem. 

Andrews, que ficou responsável por roteirizar a produção, fez um trabalho incrível e conseguiu transmitir a essência de seus personagens para a tela grande e, ao meu ver, corrigiu certas coisas que talvez não parecessem tão boas quanto em 2007, ano que seu livro foi lançado. Além de um roteiro inteligente, temos fotografia e direção impecável, que, quando combinados, parecem refletir as 287 páginas do romance. 

Por possuir elementos únicos, Me and Earl and the Dying Girl acaba agradando não somente os leitores, mas também aqueles que não tiveram nenhum contato com a obra. Isso se dá pelo fato da leveza da adaptação; mesmo possuindo uma temática mais madura, não existe pretensão em alguma em torná-la a próxima referência cinematográfica para "filme que conta a história de adolescente com câncer". 

Durante 1h 45min vemos a vida como ela é, sem idealizações ou clichês convencionais. Na verdade, vemos alguns clichês sim, pois é difícil não cair em algum deles em grandes produções. Todavia, a abordagem inovadora é o que chama a atenção, pois não conseguimos ter 100% de certeza a respeito do que irá acontecer em seguida. 


Além disso, todo o elenco funciona muito bem em seus personagens, especialmente Olivia Cooke, responsável por dar vida a Rachel. Confesso que a atriz não seria minha primeira escolha para o papel, mas fica difícil imaginar alguém melhor após assistir sua atuação. E o mesmo vale para Thomas Mann e RJ Cyler (Greg e Earl, respectivamente), que transformaram seus protagonistas em adolescentes muito mais reais do que aqueles que conhecemos no livro. 


Creio que quando um elenco é composto por atores relativamente desconhecidos, tudo conspira a favor, pois não existe aquela constante obrigação de "ser o melhor", só é preciso "fazer o melhor". E vemos que isso acontece pois o filme funciona desde a parte técnica, o que resultou em sua aclamação no Festival de Sundance desse ano. Se tenho algo mais a dizer é: assista.


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