quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Resenha | Os Contos de Beedle, O Bardo - J.K. Rowling

Os contos foram traduzidos das runas originais pela personagem Hermione, a partir do velho exemplar herdado por ela. São cinco histórias de fadas diferentes entre si. Histórias populares para jovens bruxos e bruxas, contadas há gerações aos filhos à hora de dormir. Pouco se sabe do passado de seu autor, apenas que Beedle, o Bardo, teria nascido em Yorkshire no século XV e possuía uma longa barba; mas suas histórias foram passadas de geração em geração e têm ajudado muitos pais bruxos. Não muito diferente dos contos escritos para pequenos trouxas.
Enquanto nos livros dos trouxas ela está ligada ao comportamento errado, aqui ela está associada aos heróis e às heroínas que são capazes de realizar mágicas para ajudar os outros. Só que ao mesmo tempo bruxos e bruxas descobrem que esta mesma magia pode lhes causar dificuldades e nem sempre é a solução para todos os problemas. Assim como em alguns contos de fadas, as histórias de Beedle podem assustar criancinhas, mas, por outro lado, as inspiram a serem honestas e a usarem seus poderes para o bem, algo que Dumbledore ressalta a todo momento em suas anotações.

Mencionado no sétimo livro da franquia Harry Potter, "Os contos de Beedle, o Bardo" foi originalmente produzido em uma edição de apenas sete exemplares manuscritos, sendo um deles oferecido a leilão e faturando um pouco mais de três milhões de dólares. O livro é dotado de cinco contos do mundo bruxo escritas ficcionalmente por Beedle, um homem que viveu no século 15 e "tinha uma barba excepcionalmente luxuriante". Bardo é uma pessoa encarregada de transmitir histórias, mitos, lendas e poemas de forma oral, cantando as histórias do seu povo em poemas recitados.

Um dos pontos mais interessantes do livro, é que assim como "Quadribol através dos séculos", e " Animais Fantásticos e Onde Habitam ", os contos de Beedle "conversam" com a franquia do bruxo mais famoso do nosso século, contando as histórias que os personagens queridos da série liam quando criança - com exceção de Harry e Hermione, que não tiveram uma criação mágica - assim como desde pequenos conhecemos os famosos contos de fadas. Se nesses, as histórias sempre terminavam com uma lição, nos contos bruxos não seria diferente.

As histórias contadas por Beedle são: "O Bruxo e o Caldeirão Saltitante, "A Fonte da Sorte", "O Coração Peludo do Mago", "Babbity, a Coelha e seu Toco Gargalhante" e por fim "O Conto dos Três Irmãos". Dentre os divertidos contos, podemos encontrar "O Coração Peludo do Mago", que conta a trajetória de um jovem mago atraente, habilidoso e rico que está envergonhado pela tolice de seus amigos apaixonados... Pois é, aí vemos, mesmo em um conto, - e bruxo ainda por cima - a relação com a realidade de muitos jovens,que desiludidos pelo amor, decidem, ou pelo menos tentam não se apaixonar. A diferença se da no fato de que com magia,o jovem bruxo consegue realizar a façanha. Porém ele tem a infelicidade de usar a “Arte das Trevas” para evitar que ele mesmo se apaixone.

Com uma leitura um pouco mais atenta podemos perceber que o conto oferece um aviso sobre os riscos e perigos de um grande poder nas mãos de magos jovens e com pouca experiência de vida. Essa lição é bem explorada do arco de Lord Voldemort - vilão da obra Harry Potter - que logo muito jovem experimentou o grande e perigoso poder proporcionado pelas artes das trevas, ao criar as horcruxes, o desafio principal de Potter e seus amigos nos dois últimos livros.

Porem a lição mais chamativa para o mundo de Harry Potter, é a aprendida no último conto do livro, 'O Conto dos Três Irmãos", onde são apresentadas as relíquias da morte: a capa da invisibilidade, a pedra da ressurreição, e a varinha das varinhas, todas comprovadamente existentes na história de Harry.

Resumidamente, este último conto retrata a história de três irmãos habilidosos que escaparam da morte ( no conto,uma figura personificada) e logo ganharam dela um pedido para cada um. O primeiro irmão pediu a varinha mais poderosa de todas, a varinha das varinhas, o segundo,uma pedra que ressuscitasse os mortos, e o terceiro e mais humilde, uma capa da invisibilidade, para poder fugir da morte. Um a um os irmaos padecem percebendo que suas relíquias não o tornarão plenamente felizes ou protegidos dos perigos, com exceção do último irmão que com sua capa, viveu bastante tempo e no momento de acolher a morte, passou a relíquia a seu filho. 
Somente quando atingiu uma idade avançada foi que o irmão mais moço despiu a Capa da Invisibilidade e deu-a de presente ao filho. Acolheu, então, a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e, iguais, partiram desta vida.
Podemos fazer um link interessante ao relacionar os três irmãos a certos personagens: Lord Voldemort, que tomado pelo desejo de poder fez o uso da varinha das varinhas, mas ainda assim não foi o suficiente para que conseguisse o que queria: derrotar seu maior inimigo, e ameaça. Temos Severo Snape, que podemos relacionar ao segundo irmão. Ainda que em momento algum ele possuísse a pedra da ressurreição, ele tinha em seu coração a vontade de trazer de volta à vida, sua amada Lilian Potter, e acabou morrendo em decorrência a esse amor, ao tentar proteger seu filho, sua única lembrança viva. E também podemos obviamente relacionar o próprio Harry Potter ao terceiro irmão, que permaneceu vivo, graças a sua coragem e humildade tendo como auxílio a capa da invisibilidade que foi deixada por seu pai, mostrando que Harry é descendente dos irmãos Peverel do conto dos três irmãos. 



Como fã da série Harry Potter sou suspeita pelas 5 estrelas que darei ao "Os contos de Beedle, o Bardo". Para quem acompanhou a história de Harry, o livro de contos se torna uma relíquia - eu não diria da morte - pois terá em mãos o livro que foi lido por personagens queridos. Para quem não leu a saga do pequeno bruxo, os contos de Beedle também podem ser interessante por conter historias não necessariamente infantis e que nos fazem refletir sobre boa conduta e trazem boas lições, e isso vale tanto para os bruxos, quanto para nós, os trouxas

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