quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Resenha | Um Dia - David Nicholls

Dexter Mayhew e Emma Morley conheceram-se em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos passam e Dex e Em levam vidas isoladas - vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.

Dotado de um filme de mesmo nome, "One Day" ou "Um Dia" traduzido aqui no Brasil, se trata de um romance bem moderno e livre de melodramas, mas ainda assim nos faz vivenciar um amor real, ainda que não sintetizado por Emma e Dexter. 

A cada diálogo fica claro que o casal se encaixa no clichê "feitos um para o outro". Emma faz de Dex uma pessoa melhor, e ele em contrapartida a faz feliz, como se somente ele a fizesse "funcionar". 

A parte interessante do livro se encontra no fato de que a história é contada em apenas um dia durante 20 anos, todo dia 15 de julho a partir de 1988. Então causa no leitor a cada capítulo a curiosidade de saber o que está acontecendo em cada ano, já que todos os outros 364 dias foram completamente ignorados! É interessante mas ao mesmo tempo agoniante não saber o que esperar dos efeitos do tempo na vida dos personagens, que praticamente podem ir de um extremo a outro em apenas um capítulo. 

Dexter expirou pelo nariz e se ajeitou na cama, examinando o mal-ajambrado quarto que ela aluga, sabendo com absoluta certeza que em algum lugar entre aqueles cartões-postais de arte e cartazes de peças de teatro alternativo haveria uma fotografia do Nelson Mandela, como uma espécie de namorado ideal que só existe no mundo dos sonhos. Já tinha visto muitos quartos como aquele nesses últimos quatro anos, espa lhados pela cidade como a cena de um crime, quartos onde nunca se estava a mais de dois metros de um disco da Nina Simone. Embora raramente tivesse visitado duas vezes o mesmo quarto, tudo era muito familiar. Os velhos abajures e os vasos de plantas desolados, o cheiro de sabão em pó em lençóis baratos que mal cabiam nas camas. Ela também tinha aquela paixão artística por fotomontagens, tão comum nas garotas: fotos de colegas da faculdade e da família misturando-se com desenhos de Chagall, Vermeer e Kandinsky, os Che Guevaras, os Woody Allens e os Samuel Becketts. Nada era neutro, tudo afirmava um ponto de vista. O quarto era um manifesto, e com um suspiro Dexter identificou-a como uma daquelas garotas que usavam “burguês” como um termo ofensivo. Ele entendia que “fascista” pudesse ter conotações negativas, mas gostava da palavra “burguês” e de tudo que tal termo implicava.

Quanto a leitura, o texto é bem realista e foge do complicado ao mesmo passo que do simplório. Bem irônica, a leitura transcorre de forma bem envolvente e gostosa. E aliada à curiosidade do leitor de conhecer a situacao de Emma e dexter no seguinte ano, ela se torna bem rápida e tranqüila.

O aprendizado que se tem com o livro é semelhante ao carpe diem, viver cada dia como se fosse o único torna-se um pensamento frequente após a leitura de One Day, pois qualquer dia do seu cotidiano pode ser um dia especial, e o icônico final do livro deixa isso bem claro, ao mostrar que a escolha de contar a história em um dia específico do ano não foi um mero capricho do autor.


Minha nota é 4 estrelas pois a história é interessante e bem realista sem fugir dos altos e baixos que preenchem a vida de todo ser humano, além da escrita estratégica do leitor que consegue construir uma história com fatos de apenas 24 horas.


Um comentário:

  1. Eu li esse livro no inicio desse ano. No começo fiquei bem perdida, mas depois fui me achando. Gostei bastante dele, e realmente, o modo que ele foi escrito facilita bastante a leitura. Só que não gostei tanto do final dele, acho que foi porque é uma história de um casal normal, sem muitos clichês. Mas claro, é um livro adorável.
    Beijo,
    paraisodemenina.blogspot.com

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