sábado, 12 de dezembro de 2015

Review | Jessica Jones - 1ª Temporada


Desde que sua curta vida como super-heroína acabou de forma trágica, Jessica Jones (Krysten Ritter) vem reconstruindo sua carreira e passou a levar a vida como detetive particular no bairro de Hell's Kitchen, em Nova York, na sua própria agência de investigações, a Alias Investigations. Traumatizada por eventos anteriores de sua vida, ela sofre de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, e tenta fazer com que seus super-poderes passem despercebidos pelos seus clientes. Mas, mesmo tentando fugir do passado, seus demônios particulares vão voltar a perseguí-la, na figura de Zebediah Kilgrave (David Tennant), um obsessivo vilão que fará de tudo para chamar a atenção de Jessica.

Investir em uma série com protagonista feminina sempre será um desafio, independente de quem esteja por trás da ideia, que nesse caso partiu da roteirista Melissa Rosenberg, que assinou as produções do universo vampiresco conhecido como Crepúsculo. Bem, por que um desafio? Porque é, de fato, complicado demais trazer à vida figuras que ao longo dos anos foram expostas ao público através do não tão sutil machismo contido nas histórias em quadrinhos. Então como fazer com que uma série com essa abordagem caia nas graças de todos, inclusive da crítica especializada?

Primeiro é preciso fazer uso de uma personagem forte e destemida como Jessica Jones, que ganha vida na pele de Krysten Ritter (Breaking Bad); uma heroína que renega seu lado super e segue as próprias regras. Ela não é, em momento algum, tratada como um objeto de acessório aos personagens masculinos e mantém seu papel principal do início ao fim, mostrando que é possível se destacar sem vestir um collant chamativo. Jessica se aproxima da realidade, como já não era sem tempo, fazendo com que o padrão de beleza elevada da classe heroica feminina seja mais uma vez colocado em desuso. E não espere que Jessica tenha seus momentos de flor delicada no jardim da meia noite. Pelo contrário: Jessica exibe consistência e consegue evoluir gradativamente ao decorrer da trama. 


Dose de sinceridade: Jessica Jones é uma série em que os personagens conseguem expandir-se de acordo com o desenrolar da história, mantendo ritmo e química entre si, fazendo com que suas respectivas evoluções pareçam palpáveis através da tela. Mais uma vez, isso somente ocorre devido a proximidade dos mesmos com a realidade. Essa preocupação com a verossimilhança é evidente desde os primeiros episódios, o que entra como saldo positivo para a Netflix.

Porém, apesar de se sobressair em diversos aspectos a série falha em levar a ação ao público, fazendo com que essa seja extremamente rasa e mal dirigida, o que acaba prejudicando o quadro final de algumas cenas. Todavia, nada que altere a qualidade geral. A tensão psicológica protagonizada por Kilgrave e Jessica permaneceu do início ao fim como o foco principal, o que justifica alguns deslizes da produção em outras áreas. 


David Tennant (Doctor Who) merece um destaque especial por sua atuação brilhante como o controlador de mentes Kilgrave, que roubou a atenção em momentos em que nem mesmo esteja presente em cena. Foi como um daqueles raros casos em que o papel ganha o ator, não o contrário, pois é inconcebível imaginar alguém que pudesse interpretar tal personagem complexo e volúvel de forma tão inteligente quanto David Tennant ao longo da temporada. 

No geral, é perceptível que alguns pontos poderiam (deveriam) ser trabalhados de forma melhor, como o caso do passado entre Jessica e Luke Cage, que pareceu estar ali somente para que algumas informações fossem jogadas no ar enquanto outro herói fazia participação especial. A abordagem contida, por medo de errar, acabou deixando diversas perguntas para serem respondidas futuramente - na série do próprio Luke Cage. 

Salvo os detalhes incômodos, que variam de acordo com gostos pessoais, a Netflix entregou ao público uma série sincera, que promete e cumpre, sem inventar ou embelezar demais, mantendo o mesmo tom adulto e sombrio utilizado em Demolidor, onde funcionou melhor. Jessica Jones proporciona um entretenimento agradável para os fãs da HQ e um ótimo início para aqueles que estão desenvolvendo um primeiro contato com a detetive particular de Hell's Kitchen.


8 comentários:

  1. Hey.
    Discordo totalmente no que você diz em deslises da série. Jessica Jones é para ser tensa do começo ao fim e o foco principal e totalmente da série é a relação entre ela e o maluco Kilgrave, ou seja, é proposital.
    Alguns pontos da vida da Jessica, como por exemplo a relação dela com Trish e porque ódio da mãe dela foi explorados de uma forma sútil para não perder o foco. Trish e a Jessica tem uma história muito interessante que se fosse mais explorada iria bagunçar. Isso vale para o Luke, já que vamos ter uma série só dele, então sem necessidade de grande história.
    Gosto muito mais da Jessica Jones do que Demolidor, acho que me identifiquei muito com ela. Não que Demolidor seja ruim, muito pelo contrário, agora sim souberam contar a história dele de forma excelente.

    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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    1. Oi, Helana.

      Sim, a relação entre os dois é o ponto principal da série, todo mundo percebeu isso. Porém algumas coisas envolvendo os dois ficaram sem explicação e provavelmente não vão ser explicadas no futuro porque não vai haver espaço para isso. Então ao meu ver Jessica Jones deixou alguns furos, mas continuou sendo uma série bem legal de assistir.

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  2. Nunca assisti a série, então não tenho muito o que falar. Mas a respeito do seu post esta muito bem feito.
    Bjin e até mais.
    http://reinoliterariobr.blogspot.com.br/

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  3. Oi Fernanda, eu já tinha ouvido falar dessa série mas nunca tinha me interessado de fato nela, até porque ando sem tempo ultimamente de assistir, mas com certeza a série já entrou para a minha lista e logo que eu tiver um tempinho vou conferir!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  4. Não tenho vontade de ver essa série, até gosto de super heróis, mas só alguns, já acho que tá demais essa enchurrada de séries de supere heróis. Vou ficar só no Arrow por enquanto. BJs

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  5. Vejo todo mundo falar de Jessica Jones e depois daquele meme viral eu achei que o pessoal estava de brincadeira kkkkk Não entendi porque investir em protagonista feminina é um desafio... acho tão natural quanto um protagonista masculino ou qualquer que seja o protagonista. Tipo, eu entendi o que você quis dizer sim... mas não entra na minha cabeça que isso seja um desafio, porque pra mim é algo tão normal. Eu fico pescando tanto quando deixam coisas no ar. Adorei o post
    -Mari

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  6. Oie, Fernanda.
    Sua review só fez minha vontade de assistir a série triplicar.
    Não comecei ainda porque não poderei me dedicar a ela, então prefiro dar um tempinho mais.
    Netflix está arrasando com as séries de super heróis.

    Lisossomos

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  7. Achei interessante o fato de ser uma protagonista mulher e que ela não tem esse momentos mega sensíveis, mas o estilo da série não é o meu preferido. Aliás, nem costumo acompanhar por falta de tempo mesmo.
    Bjs, Isa

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