sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Resenha | Mosquitolândia - David Arnold

Após o inesperado divórcio dos pais, Mim Malone é arrastada de sua casa em Ohio para o árido Mississippi, onde passa a morar com o pai e a madrasta e a ser medicada contra a própria vontade. Porém, antes mesmo de a poeira da mudança baixar, ela descobre que a mãe está doente.Mim foge de sua nova vida e embarca em um ônibus com destino a seu verdadeiro lugar, o lar de sua mãe, e acaba encontrando alguns companheiros de viagem muito interessantes pelo caminho. Quando a jornada de mais de mil quilômetros toma rumos inesperados, ela precisa confrontar os próprios demônios e redefinir seus conceitos de amor, lealdade e sanidade. Com uma narrativa caleidoscópica e inesquecível, Mosquitolândia é uma odisseia contemporânea, uma história sobre as dificuldades do dia a dia e o que fazemos para enfrentá-las.

Mary Iris Malone é uma adolescente incomum. Mim, como é conhecida, vive com o pai e a madrasta após o repentino divórcio dos pais. Consternada com a situação e com a falta de diálogo com a mãe, que há semanas não atende suas ligações, resolve que percorrerá todo o caminho desde o Mississippi até Ohio para confrontá-la. Mas os quilômetros até sua mãe serão compostos por obstáculos. 

Mas o pior, de longe, era a amplificação das batidas do coração. Eu escutava aquele maldito bater incessante e pensava em todas as coisas que eu não fizera, em todas as coisas que eu sequer pensara em não fazer, todas as vezes que meu coração não seria partido, as coisas que levariam ao amor e tudo o mais. E se agora - bem agora - bem aqui - eu ouvir meu coração parar de bater?

A viagem de Mim Malone é digna de cinema, tanto que é necessário chamada de "jornada", para que tenha um quê aventuresco. Mim sofre um acidente logo no início de trama e a partir daí as coisas se complicam mais do que deveriam, a começar por uma misteriosa caixa de madeira que implica o início de uma missão. E, apesar de suas desventuras serem pouco críveis, há sempre a maravilhosa sensação de que em tela grande sua vida seria extremamente palpável. 

E confesso que o ponto positivo da trama - sua facilidade para transformar-se num roteiro de cinema - acabou por se tornar extremamente paradoxal, pois as cenas não eram descritas de modo a saltarem das páginas. David Arnold fez um ótimo trabalho, de fato, mas em alguns momentos acaba deixando de lado descrições que seriam necessárias para que a trama fluísse melhor. 

O autor também erra quando não conclui uma questão pertinente ao longo do livro: a sanidade de Mim. Cabe ao leitor tirar suas próprias conclusões, o que me incomodou, pois senti que Mim Malone precisava de um desfecho para si, porque, afinal, ela é a narradora. 


Admito que a história por trás da maravilhosa edição de Mosquitolândia, publicada com capricho através da Editora Intrínseca, não era de meu conhecimento, então mergulhei sem saber o que esperar. A leitura foi agradável, pois Mary Iris Malone é uma ótima narradora, carismática do início ao fim com as cartas que escreve, sustentando a história. Os relacionamentos que cultiva ao longo das páginas também encantam, pois mostram a importância de ter amigos com os quais compartilhar experiências. Gostaria que Arnold tivesse explorado mais certos pontos, mas por ser seu primeiro romance, imagino que diversas coisas boas vão surgir em suas próximas publicações. 

De todo jeito, você devia escrever. É melhor do que sucumbir à loucura do mundo.


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