sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Resenha | Naomi & Ely e a Lista do Não Beijo - David Levithan e Rachel Cohn

A quintessência menina-gosta-de-menino-que-gosta-de-meninos. Uma análise bem-humorada sobre relacionamentos. Naomi e Ely são amigos inseparáveis desde pequenos. Naomi ama Ely e está apaixonada por ele. Já o garoto, ama a amiga, mas prefere estar apaixonado, bem, por garotos. Para preservar a amizade, criam a lista do não beijo — a relação de caras que nenhum dos dois pode beijar em hipótese alguma. A lista do não beijo protege a amizade e assegura que nada vá abalar as estruturas da fundação Naomi & Ely. Até que... Ely beija o namorado de Naomi. E quando há amor, amizade e traição envolvidos, a reconciliação pode ser dolorosa e, claro, muito dramática.


As coisas que realmente importam não são fáceis. Os sentimentos de alegria são fáceis. A felicidade, não. Flertar é fácil. Amar, não. Dizer que você é amigo de alguém é fácil. Ser um amigo de verdade, não.

Naomi e Ely são amigos desde que conseguem se lembrar - inseparáveis como irmãos, até mesmo no momento mais difícil de suas vidas, superando todos os obstáculos. Sempre juntos. Até que um beijo muda tudo. Ely beijou Bruce II, namorado de Naomi, ignorando o passado que compartilhavam. É a partir desse acontecimento que vemos as coisas mudarem, guiadas pelo erro cometido por eles, e vamos descobrindo aos poucos traços da personalidade de todos os envolvidos.

Ah, sim. Não conhecemos somente Naomi, Ely e Bruce II. Muito pelo contrário; somos apresentados a diversos personagens secundários, em sua maioria moradores do mesmo prédio de Naomi e Ely, que fazem questão de expor seus pontos de vista acerca da mais recente notícia, o que acaba sendo uma jogada interessante vinda dos autores. Todos têm muito a dizer a respeito de amizade entre os dois protagonistas, especialmente Gabriel

Confesso que, para mim, os melhores capítulos (infelizmente, só haviam dois) narrados por Gabriel, o jovem porteiro ridiculamente adorado pela dupla dinâmica. Em alguns momentos me senti incomodada com a imaturidade de Naomi e Ely ao encarar determinadas situações, já começando a me perguntar se Levithan e Cohn não conseguiriam tornar as coisas mais sérias. Então surgiu Gabriel, com sua incrível playlist e considerações sobre o "término da amizade" que realmente cativaram por sua sinceridade. 

Não vamos pensar em armadilhas. Vamos pensar que nossa situação é... um labirinto, do qual precisamos encontrar a saída. O problema das armadilhas é que ficamos presos nela e não conseguimos mais sair. Um labirinto tem saída. Você só precisa encontrá-la.

Quanto a Naomi e Ely... Bem, é difícil explicar o que senti em relação a eles, o que me faz recorrer ao velho clichê de "amor e ódio". Com Ely foi mais fácil, pois ao longo da leitura me vi gostando do personagem, apesar de seu jeito consideravelmente egocêntrico. Mas Naomi foi difícil. Creio que os autores não souberam o que queriam e ficaram com a opção jovem adulta que cuida da mãe doente e que é inteligente, sagaz, irônica e se preocupa com seu coração, mas também age como uma destruidora de sonhos. Complicado, certo?


Todavia esse não é o motivo que me faz classificar o livro com quatro estrelas. Não, meu maior problema foi o relacionamento entre Ely e Bruce II. Ao meu ver, não foi real o bastante. Em um segundo os personagens estavam apaixonados, quando, minutos antes, supostamente se odiavam. David Levithan e Rachel Cohn pecaram nesse aspecto, optando pelo desenvolvimento young adult que já vimos várias vezes. Mesmo assim, continua sendo um bom livro, e mal posso esperar para conferir sua adaptação.


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