domingo, 28 de fevereiro de 2016

Resenha | Enfeitiçadas - Jessica Spotswood

Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará a idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos: ela terá poder suficiente para mudar o rumo da história, para suscitar o ressurgimento do poder das bruxas ou um segundo Terror. Quando Cate descobre esta profecia no diário de sua mãe, morta há poucos anos, entende que precisa repensar seus planos. Qual será a melhor opção: servir a Irmandade, longe dos olhos vigilantes dos Irmãos Caçadores de Bruxas, aceitar uma proposta de casamento que lhe garanta proteção e segurança ou abandonar tudo e viver um grande amor proibido ?




Há anos Chatham está livre do domínio das bruxas, que pereceram após a queda do Grande Templo das Filhas de Perséfone. Mas isso não impede que a Fraternidade, uma organização religiosa determinada a expurgar todo e qualquer vestígio de magia, de afastarem brutalmente jovens de suas casas sob acusação, verídica ou não, de bruxaria. Com a aproximação de seu aniversário, que implica em declarar sua intenção – juntar-se a Irmandade ou um noivado -, Cate Cahill se preocupa com seu futuro, mas especialmente com suas irmãs mais novas, uma vez são todas irrevogavelmente bruxas. 

É com essa premissa - um tanto batida - que a autora pretende se conectar com seus leitores em seu primeiro livro, publicado no início de 2012. Os dilemas enfrentados pelos personagens, em especial por nossa protagonista, são os mesmos já vistos em obras anteriores, com uma abordagem bem similar. Todavia, funcionam muito bem com a narrativa de Jessica Spotswood que, apesar de optar por um suposto "clichê adolescente", consegue cativar com reviravoltas e desenrolares inesperados. 

- Nós somos bruxas, Cate. Nascemos assim. A magia não é algo vergonhoso, por mais que os Irmãos queiram nos convencer disso. É um dom. Eu gostaria que você aceitasse esse fato.

Infelizmente, Catherine Cahill não é a melhor protagonista para a história de Spotswood. Cate acaba sendo infantil demais em suas decisões, nunca escolhendo a opção mais óbvia, que solucionaria facilmente grande parte de seus tormentos. Porém, é impossível não identificar-se com a personagem, uma vez que nos imaginamos em sua posição, sabendo que provavelmente seguiríamos pelo mesmo caminho. E mesmo com seus defeitos, Cate não é o ponto negativo da trama. Não, esse posto fica para a dita vilã, que não convence em momento algum, visto que desde sua primeira aparição suas verdadeiras intenções ficam claras. 

O trunfo de Spotswood é, sem sombra de dúvida, o desenvolvimento da irmã mais jovem, Tess Cahill, que se mostra madura para a idade e muito mais apta a prática da magia do que era esperado inicialmente. Nos próximos livros, sei que minha atenção estará voltada para Tess, que é carismática e inteligente, sobressaindo-se nas cenas em que aparece, dando uma verdadeira lição em Cate e Maura. 


Confesso que não esperava gostar de Enfeitiçadas; o que fica claro quando digo que demorei quase um ano para iniciar a leitura. Por mais que as primeiras cem páginas tenham sido uma incógnita, a autora conseguiu estabelecer um ritmo e construir uma história que começou a chamar minha atenção, a ponto de me fazer devorar capítulo após capítulo. O primeiro volume das Crônicas das Irmãs Bruxas me fez perceber que, não importa a idade, quando um young adult é bem escrito, ele irá chamar atenção e conquistar o leitor. Mal posso esperar pelo segundo. 





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