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Resenha | 1984 - George Orwell

quarta-feira, 30 de março de 2016
Publicada originalmente em 1949, a distopia futurista 1984 é um dos romances mais influentes do século XX, um inquestionável clássico moderno. Lançada poucos meses antes da morte do autor, é uma obra magistral que ainda se impõe como poderosa reflexão ficcional sobre a essência nefasta de qualquer forma de poder totalitário

Winston, herói de 1984, último romance de George Orwell, vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. De fato, a ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O´Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que "só nos interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro". 

Ouvi falar desse livro há muito tempo, e só agora resolvi sentar e lê-lo. A última obra de George Orwell pode ser mal vista por pessoas desinteressadas pelo estudo histórico e social, mas como não sou o caso, simplesmente devorei uma página atrás da outra por uma noite inteira.

A sociedade distópica apresentada é uma caricatura assustadora de um regime comunista levado ao extremo, em escala mundial. Um mundo que vive sob a pressão de uma guerra sem fim, com um governo opressor e sem o mínimo de liberdade – nem mesmo dentro da própria mente. Acompanhamos Winston, um funcionário do Ministério da Verdade (onde todo e qualquer registro histórico é alterado e apagado para servir aos interesses do Partido) perfeitamente normal e igual a todos os outros, que passa da indiferença adequada à revolta completa – e ilegal.

É uma obra interessante pelo seu enredo, com um bônus: aqueles acostumados aos estudos históricos e sociais podem ver as referências às obras de Marx e Engels pulando em todos os cantos, além da óbvia base no sistema de produção proposto por ambos. É uma leitura incrível, que com a bagagem cultural certa se torna simplesmente sublime. Nem mesmo sem as restrições impostas pela novilíngua sou capaz de encontrar adjetivos que estejam à altura de um dos melhores romances distópicos já escritos.



Dou nota cinco por muitos motivos. Um leitor desinteressado por toda a parte política e social da obra a compreende perfeitamente e é cativado pelo seu enredo, cheio de jogos psicológicos, enquanto um leitor imerso nesse ambiente de estudos sociais sente-se encantado por todas as referências e críticas presentes da primeira página à última. O romance bem construído, apesar da pressa do autor de ser capaz de finalizá-lo antes de sua morte. Merece todas as estrelas possíveis. Impossível não gostar da leitura – e não sentir-se aliviado ao terminá-la simplesmente por não viver em uma sociedade como a apresentada.


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