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Resenha | Bussunda, A Vida do Casseta - Guilherme Fiuza

sexta-feira, 25 de março de 2016
Quando a carreira dos futuros integrantes do Casseta & Planeta começou a engrenar, Claudio Manoel perguntou para Bussunda que sonho de consumo ele ia realizar primeiro se ficasse rico. "Eu quero ter 40 mil pares de sandálias Havaianas", afirmou o humorista, sem hesitar.

A resposta diz muito sobre a personalidade de Cláudio Besserman Vianna, nome real de Bussunda, e explica porque ele se tornou uma das figuras mais amadas do Brasil, conquistando pessoas de todas as idades e classes sociais. Eleito o pior aluno da universidade, o que considerava motivo de orgulho, durante um período o comediante chegou a quase não ter dinheiro para comer e andar de ônibus. Quando o sucesso veio, porém, ele continuou o mesmo sujeito simples e debochado de sempre.

Além de traçar um perfil revelador de Bussunda, Guilherme Fiuza reconstitui aqui o nascimento do Casseta & Planeta, relatando a trajetória de seus outros integrantes. Egressos dos jornais humorísticos Casseta Popular e Planeta Diário, eles se aproximaram quando foram chamados para escrever um programa que virou a televisão brasileira de cabeça para baixo: a TV Pirata. O que emerge do livro é um retrato definitivo de um personagem único, que arrebatou o país com seu jeito anárquico e, ao mesmo tempo, extremamente doce.

A geração mais recente não tem a noção da importância que o grupo Casseta & Planeta apresenta para a história do humor nacional porque só pegou os anos sem Bussunda. A história precisa ser contada e assim os problemas se acabaram! Antes do Casseta & Planeta houveram as publicações Casseta Popular e Planeta Diário, que tiveram suas antologias publicadas pela editora Desiderata, mas sobre essas falarei em outra oportunidade. O livro que falarei hoje serve como introdução ou complemento aos citados acima. Hoje falaremos de Bussunda.

Bussunda - A Vida do Casseta é ao mesmo tempo uma biografia e o registro que se fazia necessário da história do grupo. Além da história ser boa, é primorosamente contada por Guilherme Fiúza. O livro traz uma outra luz sobre pessoas que fazem rir. De como alguém entusiasta do ócio e tido como um caso perdido pela família venceu no riso, malandragem e com uma revolução no humor. Mas não se fala apenas dele, todas as pessoas importantes ao longo da história tem sua origem aprofundada.

O detalhe é que falando assim não é exatamente honesto. O ponto é que essa é uma biografia fácil de se identificar com o protagonista, talvez seja a biografia mais divertida em muito tempo, mas ela também emociona, além de haver momentos que nos dias atuais soam surreais, como ir pedir um ônibus ao governador pra poder ir em congressos (litorâneos, claro) e conseguir. De fato, algumas das melhores passagens do livro são em seu tempo de universidade, onde foi de tudo e fez de tudo, de técnico de futebol a fazer solos de cubo mágico em sua banda, além de vencer as eleições na faculdade de forma surpreendente.

Além disso, aborda a vida pessoal e familiar, onde com uma mãe judia, que sempre exigia o melhor, ele estava em seu próprio ritmo, em sua caverna, comendo torresmo, vendo muita TV e lendo bastante de tudo(futebol, pornografia e depois o resto). Além da sobrevivência com os irmãos mais velhos, que tinham como esporte bater nele quando ninguém estava em casa.

A criação do Casseta Popular é abordada, sua distribuição que basicamente era a venda nas praias e o surgimento do Planeta Diário anos depois, que já era distribuído nas bancas, fazendo parecer que o primeiro era cópia do segundo pro público. Eventualmente se uniram. Apesar disso, eram dias de luta e pouco dinheiro, a ponto de fazer alguns cogitarem a desistência, que só não ocorreu porque foram chamados para fazer parte da equipe de redatores da TV Pirata.

A partir daí, são abordadas as lutas para conseguir espaço, a carreira musical que causou sucesso e polêmicas, em especial com a música "Mãe é Mãe", arranjando problemas com feministas, Tim Maia, mas por outro lado conquistou a mulher de sua vida. A vida melhora, passa a crescer, mas Bussunda continua em sua simplicidade. Com a passagem pra frente das câmeras, o sucesso se consolida e aos poucos a popularidade chega ao seu pico. As discussões internas sobre piadas serem feitas baseadas na análise de mercado são bem esclarecedoras e podem ser a resposta para muitos que falam que a qualidade do programa caiu ao longo dos anos.

Assim como é dito na nota do autor, talvez Bussunda não caiba em um livro, talvez não caiba nessa resenha, mas eu afirmo que esse livro é altamente recomendável, além de servir pra entender piadas internas das antologias que citei acima. E pode servir de incentivo para adquiri-las.


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