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Resenha | Os Assassinos do Cartão Postal - James Patterson

sábado, 23 de abril de 2016
Uma viagem para conhecer as mais belas cidades da Europa é o sonho de qualquer pessoa. Porém, o detetive da NYPD Jacob Kanon não está interessado nos pontos turísticos. Após receber a notícia do brutal assassinato de sua filha e namorado, mortos em Roma, Kanon viaja para o Velho Continente para tentar juntar pistas sobre o crime que mudou sua vida. E a onda de assassinatos está só começando: jovens casais são encontrados mortos em Paris, Copenhague, Berlim e Estocolmo. Os crimes parecem não estar conectados, com exceção de um cartão-postal enviado para o jornal local da cidade de cada nova vítima. Quando a repórter sueca Dessie Larsson recebe um postal, Kanon junta forças com a jornalista e partem para o novo destino para tentar capturar o serial killer.

Dessie Larsson não é a jornalista mais conhecida de seu país. Suas matérias sobre assaltos e roubos certamente são bem estruturadas e lhe proporcionam um pagamento todo mês, mas ainda sim seu nome não é o mais célebre do jornal onde trabalha. Porém, Dessie foi considerada interessante o bastante para receber um cartão postal dos assassinos que estão marcando território por toda a Europa. Um cartão que irá mudar tudo. 

O modus operandi dos assassinos é sempre o mesmo: um jornalista recebe um cartão postal, dias depois um casal, geralmente em lua de mel, é encontrado morto na cidade retratada no papel. Jacob Kanon, um detetive americano que perdeu a filha recentemente, vem seguindo-os e tentando desvendar crime após crime, mas sempre está dois passos atrás. Dessie é sua melhor chance - sua única chance. 

É assim que a história se desenrola, com personagens clichês na medida certa, a ponto de fazê-los críveis, e informações investigativas que não apelam para o constante uso de termos técnicos. A narrativa de James Patterson se torna, então, bem direta, sem dar muitas voltas para que o enredo se desenvolva como deveria. A separação em capítulos curtos também acumula ponto positivo para o autor, pois dá a sensação de leitura mais rápida. 

Outro ponto positivo é a forma como a narrativa foi construída: em um momento, Jacob Kanon fala sobre a bebida, a morte de Kim e a dificuldade em pegar os assassinos. Noutro, Sylvia e Mac Rudolph, sem preocupações acerca de suas identidades, quase conversam com o leitor a respeito dos assassinatos, tidos para os mesmos como verdadeiras obras de arte. 

Todas as mortes eram friamente calculadas e as posições eram preparadas de maneira doentia. No Harlem as pessoas matavam por inveja, paixão, vingança ou dinheiro. As pessoas matavam por causa de drogas, amor ou dívidas, não para fazer exposições de arte.

Essa participação os assassinos faz com que os mesmos sejam extremamente intrigantes, de fato, e promove reações reais no leitor ao longo da história. Além disso, Patterson consegue fazer com que o leitor queira mais informações a cada instante, mesmo ao ler sob a perspectiva daqueles que cometeram os assassinatos. 


As ressalvas ficam para o desfecho. Toda a investigação se mostrou demasiadamente interessante, como revelações e reviravoltas dignas de uma adaptação cinematográfica. Entretanto, o momento final, aquele que para muitos é decisivo, deixa a desejar por não buscar a verdadeira motivação para a ocorrência das mortes, até mesmo as mais antigas. O leitor é levado a tirar suas próprias conclusões, de forma mais subjetiva possível, fazendo com que seja tarefa difícil discutir sobre Os Assassinos do Cartão Postal em uma rodinha de leitores onde cada um idealizou um final diferente.



Um comentário on "Resenha | Os Assassinos do Cartão Postal - James Patterson "
  1. Adoro um policial! O livro me ganhou já com a sinopsia e sua resenha me fez querer ler mais ainda, mas não gosto de finais "abertos", do tipo cada um acha o que quer, por causa disso fico com um pé atrás para ler. Mas o enredo me parece ser bem interessante.
    Lisandra - Mon Ami Poirot

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