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Resenha | Tudo de Novo: A Biografia Oficial do Roupa Nova - Vanessa Oliveira

sexta-feira, 8 de abril de 2016
Tudo de Novo, de Vanessa Oliveira, é o primeiro livro a contar a história do grupo Roupa Nova e a conta em detalhes, desde quando a música entrou na vida de cada um dos integrantes até os dias atuais. As primeiras bandas, os bailes nos subúrbios do Rio de Janeiro, os primeiros discos e gravadoras, trabalhos com outros artistas, muitos shows lotados, prêmios e anos de estrada.
É uma viagem musical por ritmos e épocas; um reconhecimento a uma das maiores bandas de nosso país, e um registro fundamental da música brasileira.

A pesquisa contou com depoimentos dos integrantes do Roupa Nova, e de figuras importantes que passaram por sua carreira, como Milton Nascimento, Zizi Possi, Ronaldo Bastos, Erasmo Carlos, Fagner, e muitos outros. Além disso, a escritora consultou mais de quarenta livros, cem horas de áudio, tapes antigos, LPs, CDs, DVDs, jornais e revistas. Uma obra literária que mais parece canção.

Nesse mês, teremos no meu espaço nesse valoroso blog o especial Música: Os Dois Lados da Moeda. Abordarei aqui o lado de uma banda de alto nível, ainda que perseguida pela crítica, daqui a duas semanas falarei sobre um crítico peculiar e histórico. Assim, hoje falaremos sobre Tudo de Novo, a biografia oficial do Roupa Nova.

“Mas logo o Roupa Nova?”, alguns de vocês perguntarão. Sim, claro que uma das três maiores bandas da história desse país, e a mais injustiçada entre elas pela crítica. Trinta anos emplacando hits e ao mesmo tempo fazendo música consistentemente boa por décadas sem nenhum integrante da banda sair é algo extremamente notável. Mas o livro de Vanessa Oliveira não trata apenas disso.

O livro começa com a autora apresentando seu encontro com a banda para apresentar o projeto do livro, algo que dá uma noção da dinâmica que a banda tem, debatendo entre si para tomar decisões. Então a história dos seis integrantes é contada a partir da infância, como surgiu o interesse por música e como suas histórias começam a se entrelaçar por meio de bandas de baile até que se consolidem como Os Famks.

Ao mesmo tempo dos bailes, eles se aprimoravam enquanto músicos de estúdio, na época sendo Os Motokas, uma banda que regravava sucessos do momentos em discos de coletânea com mulheres seminuas na capa(algo significativo pra década de 70, quando isso era lançado).

A partir do momento em que o livro aborda a banda quando adota seu nome definitivo, as coisas ficam ainda mais divertidas, a origem de várias músicas é contada, a história da Rádio Cidade se entrelaça com a do começo da banda, que por sua vez fazia sucesso nas rádios, mas não de vendas, ainda buscando sua identidade e espaço. Há desventuras em gravadoras, com produtores e com estilos musicais, ainda assim fazendo sucesso com o público.

O público, sim, pois a crítica teve como esporte favorito falar mal do grupo, motivos não faltavam para eles, a banda veio de bailes, era suburbana(todos os integrantes eram da Zona Norte), era popular demais para ser considerada MPB e sofisticada demais para ser encaixada no nicho BRock(o rock brasileiro dos anos 80). Ainda assim a banda tinha grande respaldo de grandes nomes da MPB e do rock nacional. Milton Nascimento é o padrinho da banda, Erasmo Carlos trabalhou com alguns integrantes antes do Roupa Nova, além da banda ter colaborado no álbum de muitos artistas daquela época com grande sucesso para os mesmos e eventualmente para a banda.

O auge da banda se deu em um momento onde haviam empresárias obstinadas, que ajudaram no conceito do fã-clube e foram pioneiras na ideia de shows por todo o país, algo que nenhuma banda fazia, apenas as grandes cidades e/ou o eixo Rio-São Paulo. Sucessos aumentaram, ainda que a crítica continuasse com as ofensas, as quais a banda retaliava de vez em quando de maneira incisiva.

Então chegam os anos 90. Mudanças nos empresários, no gosto popular(ainda que as músicas da banda continuassem a tocar em novelas), causando assim uma crise de vendas e criativa. Uma década de experiências e mudanças criativas, devido a muitas discussões com gravadoras quanto o trabalho a ser feito a seguir.

Aborda também a renascença da banda, iniciada com o projeto Roupacústico e que se expandiu para um disco gravado no Abbey Road Studios(onde os Beatles gravaram) e o cruzeiro que aconteceu em 2012. Ainda com tempo de brigar com a MTV, que os chamou de banda morta.

Uma banda que sobreviveu e prevaleceu ao tempo, mesmo com a crítica sempre jogando contra, sempre com qualidade. É um livro altamente recomendável, seja pra recordar músicas, seja para fãs da banda, seja para quem não é, pois esse livro ajuda a reparar eventuais injustiças feitas ao longo da história com esse grupo.

Daqui a duas semanas, falarei sobre um crítico, o outro lado da moeda, uma pessoa insuportável e pomposa, mas ainda assim inteligente e até mesmo engraçada o bastante para você querer mais opiniões.


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