sexta-feira, 6 de maio de 2016

"As vezes a forma que você comprou o livro é tão boa quanto tê-lo..."


Sim. A coluna de hoje não resenhará livros ou filmes ou músicas. Falaremos hoje sobre em casos é fácil e maravilhoso adquirir livros em preços maravilhosos. Ontem fui parar numa feira na Cinelândia e as coisas estavam absurdamente baratas, mais que o normal pra feiras como aquela. Muitos livros bons por cinco reais (Nick Hornby por cinco reais!), HQs de qualidade por bom preço e o livro mais caro que gastei foi dez reais. Além disso, ontem haviam CDs, todos por um real. E CDs BONS, Chuck Berry, Little Richard, umas lendas do blues e do soul, levei cinco chorando por não levar mais. Feiras assim se popularizam a cada dia, a cada quatro shoppings pelo menos um tem uma feira desse tipo e com livros interessantes, além de algumas HQs num preço muito honesto (faço coleção da Disney Big graças a isso, vale a pena).

Mas minha felicidade não se resume a achar raridades em feiras ou no meu sebo de confiança, sendo eu uma pessoa que se diverte genuinamente pesquisando preço de qualquer coisa que goste, sempre faço a ronda em determinados sites pra comprar alguma oferta inacreditável, algo que não se resume a apenas livros, muito cd bom e barato entra na jogada. Por exemplo, o duplo do Xscape, o segundo póstumo do Michael Jackson, que vem com um dvd, normalmente está uns 50 reais, eu levei numa promoção por 16. Sim, eu compro CDs nesse tempo em que vivemos, mas além de achar justo ter um registro físico, há aquilo que eu falei quando revisei o livro do Christgau, acredito que é uma forma ideal pra se apreciar a música. Enfim, muitas ofertas que não pude abrir mão, na parte literária consegui Game of Thrones, Fama e Loucura (um dia falarei dele aqui), biografias e muita coisa boa em um preço absurdo de bom, como um monte de livros do Rick Riordan. Além disso, muita coisa serve para presente aos outros. O que você faria se visse um cd duplo da Lady Gaga por 5 reais(era o Artpop, com um dvd incluso)? Eu comprei quatro e estou presenteando gente querida. Fiz o mesmo com o já citado Fama e Loucura, que comprei no lançamento por 60 e achei por 20 reais, comprei e presenteei alguém importante.

Isso é a prova de falha? Claro que não, esse ano mesmo eu comprei o novo do Elton John mais caro por fidelidade a uma empresa e implicância com os preços de outra sem nem pesquisar, paguei trinta por um cd que estava 22, mesmo sendo lançamento. Sem falar que perdi a chance por comedimento de comprar Californication completa por 50 reais, mas acontece.

Se você é como eu e tem uma disposição a procurar e pesquisar coisas, assuntos, livros e autores, sempre tenha um sebo de confiança pra servir como solução em ultimo caso. Recorrer muito a ele pode levar a saturação. Nem que você percorra livrarias, sites, escambos e a Estante Virtual, deixe o sebo como um trunfo, vá lá a cada 3 meses. Pra mim é fácil, pois o meu é em Botafogo, mas vocês entenderam. Agora, vamos à pergunta do amigo internauta:

“Ah, mas na Bienal não dá pra se fazer isso, tudo é caro lá. Como isso se aplica?”
Matheus Nunes, Mesquita-RJ

Não é que tudo seja caro, você que não soube pesquisar direito. Por vezes você encontra coisas interessantes e importantes naqueles stands onde tudo é promocional. Aí também e questão de gosto, claro, mas livros que estão de 50 reais pra cima em situações normais você encontra por 10 ou 15 reais. Foi assim com as biografias de Roupa Nova, Frank Sinatra e Mussum, por exemplo. Antologias ficam baratas e até lugares notoriamente caros como a Devir maneiram no preço se souber procurar. O negocio é que pra Bienal, algo que tal qual dançar o Creu, tem que ter disposição[1]. Por exemplo, pra mim a Bienal é como se fosse a Copa do Mundo, há toda a preparação e o ritual para tal. Há a mochila certa, capaz de carregar 20 a 25kg de livros, o condicionamento físico, mental e financeiro pra vagar por aquele pavilhões por horas, a paciência para garimpar. É a Bienal, algo que tal qual o Brasil não é para principiantes[2]. Você acha isso exagerado? Boa parte da linha editorial (e talvez dos leitores?) desse valoroso blog acorda 4 da manhã pra ficar na fila do lado de fora do Rio Centro pra pegar autógrafo as 16h de uma autora. O questionável é relativo.

Tudo o que falei sobre a Bienal e suas nuances de preço vale para a Black Friday, muitos reclamam que o preço não chega a cair ou há uns golpes, não negarei isso, presenciei alguns por pesquisar constantemente, mas há como negar o valor de livros em preços tão bonitos que eu casaria com eles? Sem falar em cds duplos a 4 reais, raridades a 1,50 (Pizzicato Five, uma bossa nova/pop japonesa).

Enfim, a sensação do livro chegar e você ter pago pouco é maravilhosa, só se compara com você andar por uma livraria, site ou até feira e ver o livro que você comprou no preço normal ou mesmo que em desconto ainda num preço maior do que naquela promoção (Fama e Loucura estava a 30 ontem na feira citada no começo, comprei por 20 na Black Friday). Não sei se isso é apenas uma sensação boa pra mim e tudo isso foi um texto sem sentido, mas imagino que preços bons iluminem seus rostos e seus dias. Eu sei que iluminam os meus, até por isso resolvi externar isso apos mostrar as coisas de ontem pra chefe.

Pesquisem, coisas boas virão.

Referências bibliográficas:
[1] CRÉU, Mc; Dança do Créu, 2008
[2] JOBIM, Antônio Carlos

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