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Resenha | As Estranhas e Belas Mágoas de Ava Lavender - Leslye Walton

sábado, 7 de maio de 2016
Gerações da família Roux aprenderam essa lição da maneira mais difícil. Os amores tolos parecem, de fato, ser transmitidos por herança aos membros da família, o que determina um destino ameaçador para os descendentes mais jovens: os gêmeos Ava e Henry Lavender. Henry passou boa parte de sua mocidade sem falar, enquanto Ava que em todos os outros aspectos parece ser uma jovem normal nasceu com asas de pássaro.

Tentando compreender sua constituição tão peculiar e, ao mesmo tempo, desejando ardentemente se adaptar aos seus pares, a jovem Ava, aos 16 anos, decide revolver o passado de sua família e se aventura em um mundo muito maior, despreparada para o que ela iria descobrir e ingênua diante dos motivos distorcidos das demais pessoas. Pessoas como Nathaniel Sorrows, que confunde Ava com um anjo e cuja obsessão por ela cresce mais e mais até a noite da celebração do solstício de verão. Nessa noite, os céus se abrem, a chuva e as penas enchem o ar, enquanto a jornada de Ava e a saga de sua família caminham para um desenlace sombrio e emocionante.

Antes de escrever qualquer uma das minhas resenhas tenho o péssimo costume de caçar a opinião de outros blogueiros acerca do livro em questão. Apesar de não ser um “ritual” aconselhável, que inclusive é repleto de pontos negativos, torna-se uma forma de observar certos aspectos através da perspectiva de outras pessoas, assim encontrando detalhes que antes haviam passado despercebidos.

Em As Estranhas e Belas Mágoas de Ava Lavender conhecemos uma jovem dotada de uma peculiaridade que não pode disfarçar: grandes asas que brotam de suas costas desde o dia em que nasceu. Por conta de tal traço, a família de Ava sempre a manteve nos limites da casa em Pinnacle Lane, que para Ava, então adolescente, transformou-se numa espécie de prisão.

Achei irônico o fato de eu ter sido abençoada com asas e, mesmo assim, ainda me sentir tão coagida, tão aprisionada. Por causa de minha condição, creio, percebia um pouco mais as ironias da vida [...] como o amor chegava quando você menos o espera, como alguém que diz que não quer magoá-lo acaba por fazê-lo.

Assim vemos o desenrolar da vida de Ava Lavander: o pouco contato com a mãe, a conexão com o irmão gêmero, Henry, as aventuras com Cardigan (sua única amiga), os devaneios da primeira paixão, a descoberta do primeiro amor, a dor da perda e a intensidade da depressão. Acompanhamos tudo através da narrativa da própria Ava, que conta sua história após anos de pesquisa.

Mas para narrar os acontecimentos que englobam sua adolescência, Ava traça uma linha cronológica, que vai desde a infância de Emilienne Roux, sua avó, com a família na França e a mudança para os Estados Unidos, até as escapadas românticas de Viviane, sua mãe, com Jack Griffith.


Em sua primeira obra, Leslye Walton consegue mesclar elementos fantásticos e ordinários, criando um conto de fadas contemporâneo onde, não importa o quão absurdo tal evento possa parecer, somos capazes de acreditar. Acreditamos nos fantasmas de Emilienne, nos poderes sensitivos de Viviane e nas asas de Ava. E é assim, sem muitos diálogos ao longo das páginas, apenas uma narrativa que transborda lirismo e magia, que As Estranhas e Belas Mágoas de Ava Lavender conquista os leitores mais exigentes.


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