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Resenha | O Mapa de Vidro - S.E. Grove

sábado, 28 de maio de 2016

Ela conhecia o mundo somente por meio de mapas. E não tinha ideia de que eles poderiam ser tão perigosos. Boston, 1891. Sophia Tims vem de uma família de grandes cartógrafos. Desde a Grande Ruptura em 1779, quando todos os continentes foram lançados a uma era diferente – da pré-história a um futuro distante – esses exploradores viajam e mapeiam o que é conhecido como Novo Mundo. Há oito anos, desde que seus pais não retornaram de uma missão urgente, ela vive com seu tio Shadrack, o melhor cartógrafo em Boston. A vida com seu brilhante, adorado e distraído tio, ensinou Sophia a cuidar de si mesma. Quando Shadrack é sequestrado por pessoas que estão atrás de um poderoso artefato, ela é a única que pode salvá-lo. Ao lado de Theo, um refugiado do oeste, ela embarca em uma aventura por cidades secretas e mares desconhecidos baseando-se apenas nos mapas deixados por seu tio e sua intuição. O que Sophia e Theo não sabem é que suas próprias vidas estão em perigo quando se descobrem segredos há muito enterrados. O mapa de vidro vai fazer você mergulhar em um mundo de fantasia autêntico e intrigante, com uma heroína que vai ganhar o seu coração.

Nada é como conhecemos. Na verdade, o mundo nunca chegou a ser da forma que é hoje. Graças ao evento conhecido como "Grande Ruptura", a Terra teve seus continentes rasgados por fendas temporais, jogando cada extensão de terra numa Era diferente, desde geadas pré históricas até desertos inabitáveis.

Nesse universo que combina as mais variadas culturas e avanços tecnológicos conhecemos Sophia Tims, uma menina de treze anos que vive com o tio, Shadrack, em Novo Ocidente, uma Era localizada no que viria a se tornar os Estados Unidos. Os pais de Sophia, Minna e Bronson, ávidos exploradores, desapareceram em uma de suas missões, dez anos antes, deixando a garota supostamente órfã. Mas ela sempre pôde contar com Shadrack. Até que ele também desaparece.

Shadrack Elli é um famoso Mestre Cartógrafo e ativista, considerado um dos melhores na arte da cartografia, o que resulta em seu sequestro. Cabe então a Sophia encontrá-lo, seguindo as pistas deixadas por ele. Porém Sophia Tims não estará sozinha em sua primeira missão.

Theodore Constantine Thackary, os irmãos Calixta e Burr (infames piratas), Veressa e outras figuras formidáveis a acompanharão ao longo das páginas. Um grupo verdadeiramente caristmático, apesar de suas aparições muito bem cronometradas - em determinados momentos é como se tudo se encaixasse sem esforços, como um roteiro, mas imagino que essa tenha sido a intensão de S.E. Grove, uma vez que sua obra remete a mesma fórmula de clássicos infantis. 

- Então faça com que o tempo seja curto, querida - a velha respondeu. - Faça do tempo o que você quiser. 

A protagonista, todavia, é extremamente agradável ao desenrolar da leitura. Sua ingenuidade infantil combinada à maturidade que lhe foi imposta pela situação resultam em uma menina astuta, gentil e determinada, qualidades imprescindíveis durante a narrativa. 


O Mapa de Vidro apresenta pouquíssimos pontos fracos, um deles sendo a estruturação do plano de fundo. Mesmo tendo construído um universo brilhante e se preocupado em explicá-lo ao leitor, a autora dá pinceladas quando se trata da Ruptura como fato concreto voltado a questão temporal para viajantes entre Eras. Outro ponto é a vilã, Blanca, que não se mostra crível o bastante, sempre navegando entre os limites "boa" e "má, fazendo com que sua redenção seja pouco louvável. Sem mais, O Mapa de Vidro é uma leitura para aqueles que desejam mergulhar em águas inexploradas da literatura fantástica infanto-juvenil, cuja saga merece ser acompanhada. 




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