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Resenha | O Trevo e a Vassoura - Gabriel Kwak

sexta-feira, 20 de maio de 2016
O que temos hoje? Falarei de talvez o melhor livro que comprei na feira que citei na minha última coluna. O assunto de hoje trata de políticos. Antes, uma explicação básica. Em que pese o fato de que eu leio muita coisa, uma das minhas maiores paixões nessa área é explorar o passado, mais ou menos como faço com a música. Nesse caso a história e seus personagens são sempre impressionantes, seja em escala nacional como em escala mundial. Por vezes sou um historiador amador ou um pesquisador, o bom é que conforme se lê mais, uma informação de anos atrás se encaixa com todo um contexto novo.

Enfim, adoro biografias e as defenderei sempre que possível. E há personagens(políticos ou do show business) impressionantes os quais sempre lamentei não haver biografias boas ou completas. Reclamo isso no caso de Leonel Brizola, que tem umas 10 biografias, mas cada uma pegando de um ponto, nenhuma tão completa assim. Até a filha dele, Neuzinha, tem uma mais completa. Hoje falaremos de duas pessoas: um cuja biografia geralmente é resumida à renúncia e não há tantas biografias como se imaginaria. O outro é uma pessoa cuja influência é enorme até hoje, ainda que em formas não tão vistas e é mais resumido por ser a personificação da expressão “rouba, mas faz”. Hoje falaremos de Jânio Quadros e Adhemar de Barros.

O livro de hoje é O Trevo e A Vassoura, de Gabriel Kwak. O trevo é o símbolo de Adhemar e a vassoura é o simbolo de Quadros. Jânio sempre me aparentou ser uma pessoa excêntrica, ainda que muito inteligente e com um ótimo jogo de cena. Após ler sobre ele nesse livro minha admiração aumentou e sou obrigado a concordar com a definição que o Planeta Diário deu dele, “um presidente performático”. Seus desdobramentos políticos renderam histórias incríveis, seu surgimento do nada, as vitórias meteóricas. A primeira parte do livro é sobre JQ e aborda todas as partes de sua vida, de vereador a presidente, passando pelos comícios revolucionários que fazia para a época, como a máquina do janismo funcionava, os anos de ditadura e seu retorno ao poder, quando novamente prefeito de São Paulo e até a doença lhe impedir de permanecer na vida pública, pouco antes disso ele era apoiado por ninguém menos que Roberto Marinho a ser candidato à presidência de novo. Mandos e desmandos, o alcoolismo folclórico, a condecoração à Che Guevara em meio a Guerra Fria, os embates com quase todos os nomes relevantes da republica.

Então eu termino a primeira parte do livro e penso “Deviam ter deixado o melhor pro final, como é que vou saber se a parte do Adhemar será tão boa?”. Barros tem uma história fascinante e errática, que ainda assim dá certo. Uma pessoa que desviava verbas, tinha carisma, um baú de dinheiro, posava de católico praticante, de ir à missa, mas conhecia de cor todos os inferninhos do Rio de Janeiro, tinha uma amante oficial que era influente em nomeações, promovia bacanais, mas apesar de toda a questionabilidade moral ele era adorado pelo seus aliados, ele de fato fez muitas obras importantes, algo no qual ele serviu de influência para Paulo Maluf.

A terceira parte, mais curta, mostra Jânio versus Adhemar, os embates entre os políticos e seus “ismos”: janismo e adhemarismo, que influenciaram o país por décadas, em alguns casos até depois da morte de seus idealizadores, uma vez que Maluf faz sua própria versão do adhemarismo e Collor foi eleito presidente com um discurso de moralização bem semelhante aos que Quadros fez em toda a sua vida. Houveram momentos de união entre os dois para eventualmente derrotar alguém, mas eram estilos antagônicos, ainda que ambos fossem bem performáticos, usando muito a palavra e as atitudes, tempos diferentes que são fascinantes de se observar. Esse livro é mais fascinante do que eu posso estar relatando nessas linhas tortas, procurem, pois vale a pena. Ah, e vale ressaltar a riqueza da pesquisa e a amplitude das pessoas entrevistadas, é um livro altamente recomendável.



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