sábado, 4 de junho de 2016

Fora do Loop


(ou Por que tenho dificuldades de explicar o que gosto de ouvir)

No artigo de hoje refletirei sobre minha relação pessoal com a música que escuto e de como tenho dificuldade para me expressar sobre ela. Algo sobre venho ensaiando escrever sobre desde os tempos de meu finado blog, o Mais Wences. Isso servirá de resposta pra muitos que perguntam algo ao longo dos anos.

Quando criança você inevitavelmente acaba ouvindo tudo que é sucesso que surge e alguma eventual música mais antiga. Minha geração é a que nunca superou Mamonas Assassinas e jura que se vivos estivessem ainda fariam sucesso (estariam na verdade aparecendo na piscina de maisena do Gugu junto com Rodriguinho dos Travessos), a geração que financiou Sandy e Junior e tava em chamas graças a uma noticia falsa falando que voltariam, mais ou menos que nem os fãs de Friends. Enfim, na adolescência cada um vai para um lado e se encaixa musicalmente em algum pedaço. Eu por minha vez passei a achar tudo o que era novo ruim, achava um absurdo o conceito de uma musica se tornar ruim ou desinteressante por ser velha, além de achar absurdo o tempo curto para uma música se tornar velha.

Assim eu passei a ignorar novidades e comecei a ouvir coisas mais antigas e/ou boas. Não é que eu não conhecesse o que havia de novo, mas eram aquelas coisas lá e eu aqui. Quando aprendi a baixar musicas, ainda no Shareaza (ainda existe? velhos tempos), baixava artistas antigos e já era algo bem variado, nada que alguém mais ouvisse. Então chega o Ensino Médio, onde lidava diretamente com um povo que ouvia Slipknot fervorosamente (eu cheguei a perguntar se era um boa ideia eu ouvir e eles falaram que era melhor não) e o resto que ouvia funk (isso num tempo que eu tinha um preconceito muito grande com o ritmo carioca, o original, americano, eu já ouvia). O isolamento aumenta e com ele o leque de opções que descubro. Nessa mesma época surge na minha vida o advento do Last.Fm, momento o qual passo a apreciar mais os artistas e a averiguar os parecidos, além do que, sempre gostei da ideia de contabilizar o quanto escuto de cada um. Faltava apenas alguém que compartilhasse dos meus gostos.

Meu problema começa pelo fato de que meus gostos são bem amplos pra definir tão vagamente, em especial na pergunta “O que é que você escuta?”, essa é uma pergunta por vezes definidora de muita coisa. Sempre acabo desconversando pois se eu citar alguma coisa é ela que vai valer e não o conjunto da obra. Isso e o fato de que algumas coisas que escuto são complicadas de explicar pras pessoas. Se você inventa de falar pra determinadas pessoas que você escuta músicas de video game, ou então suas releituras (olá, OC ReMix), já te olham diferente. Aí tem coisas que você tem que explicar o que é o ritmo, tipo ska (é o que acontece quando se mistura ritmos caribenhos com jazz e rhythm and blues, meio que considerado o pai do reggae, só que mais movimentado, Paralamas fazia musicas assim no começo). E se focar em artistas não melhora muito, quantos da minha idade efetivamente escutam Elton John? Pior ainda, quantos conhecem Billy Joel? Poucos, aí acabo indo parar em fã clubes internacionais, onde dá até pra apurar e pesquisar melhor as músicas. Mas fica frustrante não ter com quem falar sobre.

Eis aqui minha lista de mais ouvidos no velho Last FM, não uso desde 2013 (ou quando perdi meu iPod), vendo aqui diria que fora uma ou outra inclusão crucial, esta tudo ali. Tirando alguns nomes fáceis, não sei se vocês, público cativo desse valoroso blog, saberá quem são muitos ali. Acontece. Provavelmente nem vão procurar sobre depois de ver. Novamente, acontece. No passado tive problemas com isso. Em especial com aniversários, os meus, onde eu podia colocar o que quisesse. Eu colocava coisas boas, só que ninguém conhecia. Frustrante.

Hoje em dia eu convergi um pouco pra musica atual, até porque muitos dos que escuto ainda estão vivos, Elton John lançou cd esse ano, Ringo Starr lançou ano passado, eu ando comprando alguns cds mais modernos de gente que me parece ser interessante, mas tme esforço pra nunca entrar no mesmo ciclo musical que vejo, principalmente nesses tempos atuais que qualquer idiota faz algum fandom e consagra alguém ou algo que não merece tanto. Fandom é um câncer moderno, mas vai falar isso pros fãs. Além de um pessoal importante morrendo e ninguém (na minha faixa de idade) se importando como deveria. Minha filosofia atual é que se há muito buzz e/ou fãs empolgados a ponto de serem idiotas quanto a algo, o bom é evitar, algo que também vale para determinadas franquias no cinema e na literatura.

Tendo dito tudo isso, chego à conclusão de que a partir de agora criarei uma playlist para cada post feito, algo para ilustrar o texto ou até o que me inspirou para tal. Espero ter ajudado alguém com esse texto.


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