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Resenha | Half Wild - Sally Green

domingo, 5 de junho de 2016
Na Inglaterra, onde duas facções rivais de bruxos dividem espaço com os humanos, Nathan é considerado uma abominação. Além de ser um mestiço — filho de uma bruxa da Luz com um bruxo das Sombras —, seu pai, Marcus, é o bruxo mais cruel e poderoso que já existiu. Nesse mundo dividido entre mocinhos e vilões, não ter um lado é pecado. E Nathan não pode confiar em ninguém. Em Half Wild, após descobrir seu dom mágico, mesmo sem ainda conseguir controlá-lo, Nathan se une aos rebeldes da Luz e das Sombras de toda a Europa para derrubar Soul, líder tirânico do Conselho, e os caçadores, cujo domínio se espalhou para além da Inglaterra. O Conselho de bruxos da Luz continua em sua cola e não vai parar até ele ser capturado e obrigado a matar o próprio pai, cumprindo a profecia. Nathan vai precisar encontrar um modo de conviver com seu lado selvagem, descobrir quem são seus verdadeiros aliados e — principalmente — quem é seu verdadeiro amor.
Nathan é um personagem complicado que em sua vida enfrentou diversas situações desagradáveis ainda muito jovem, o que o levou a guardar imenso rancor das autoridades, ou seja, os Bruxos da Luz. Agora, após os acontecimentos narrados no primeiro livro da trilogia (Half Bad), Nathan corre contra o tempo para salvar a vida de Annalise, mas para chegar a seu destino final precisará encarar muito mais do que gostaria, inclusive uma guerra.

Com a recente mudança na administração do Conselho Bruxo, as coisas parecem ir de mal a pior devido a intolerância de Soul O’Brien, atualmente sedento por poder e movido por uma espécie de vingança que engloba todos os Bruxos das Sombras. Jessica, irmã de Nathan, é agora a líder dos Caçadores, o que pode complicar ainda mais a vida do jovem, uma vez que os dois tornaram-se inimigos declarados.

A partir da promessa de um enredo pontuado por fugas, lutas e romance, esperamos que os mesmos sejam entregues na medida certa. Todavia, a realidade acaba sendo bem diferente quando Sally Green opta por mostrar o lado mais "real" de seus personagens, esquecendo-se de que a parte mais interessante a respeito dos mesmos é o sobrenatural - os poderes, as poções, os sonhos, etc. Romance, quando bem elaborado, é interessante em histórias como essa, mas infelizmente o que acontece aqui é uma verdadeira overdose.

Annalise O'Brien é o centro de Nathan. Tudo gira em torno de seu resgate, o que acaba não sendo ruim, uma vez que muitas coisas acontecem a partir disso. Porém, a partir de determinado ponto acaba se tornando exaustiva a obsessão do protagonista que, inclusive, precisa lidar com os sentimentos de seu amigo, Gabriel, e descobrir se os corresponde ou não. Em suma há uma grande quantidade de sentimentos confusos ao longo das páginas, mais do que um desenvolvimento real da trama mais importante: o auto descobrimento de Nathan é ofuscado pelos demais. 

Tenho raiva de quase todo mundo quase o tempo todo, e sinto ainda mais raiva agora do que quando era prisioneiro, porque agora posso olhar para o passado e ver a injustiça e a brutalidade com que me trataram, mas não posso fazer nada a respeito.


Em uma leitura que demora a engatar, com um protagonista egoísta, imaturo e impulsivo e um desfecho nada empolgante para o próximo livro (que será o último da trilogia), Sally Green dá ênfase nos lados errados de sua história, que perde a magia de Half Bad sem deixar nenhum resquício. Claro, há sempre esperança de que o próximo seja melhor - o que deveria ser quase certo, ao contrário do que realmente é. Half Wild não é empolgante, não nos faz voar pelas páginas. É um livro OK com personagens pouco explorados, passagens confusas e um plano de fundo que merecia maior destaque do que obteve.


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