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Resenha | O Homem que Matou Getúlio Vargas – Jô Soares

quarta-feira, 15 de junho de 2016
“O homem que matou Getúlio Vargas” é a biografia fictícia de um anarquista brasilo-bósnio chamado Dimitri Borja Korozec, que desde os 15 anos de idade foi treinado para ser um assassino. Seu grande sonho é assassinar um líder político, tendo sido influenciado pelo forte anarquismo do pai. Nascido com um dedo a mais em cada mão – sua marca registrada - , possui a habilidade de manejar armas, e é dotado de uma pontaria extraordinária. Seria o assassino perfeito se não fosse por um detalhe: ser muito desastrado!

O título do livro já sugere algo no mínimo estranho, uma vez que todos sabem que Getúlio Vargas na verdade se matou. Jô Soares ousou e acertou ao escrever a comédia de maneira minuciosa e inteligente contando a história do personagem Dimitri que vive inúmeras situações ao lado de figuras históricas como Mata Hari, Marie Cure, Franklin Roosevelt e é claro, Getúlio Vargas. 

O pulo do gato da obra, é a relação inteligente entre a ficção e a realidade. A maneira como Jô consegue encaixar genialmente aventuras desastrosas de Dimitri com os fatos históricos daquela época, por exemplo quando Dimitri é um dos mandados para assassinar o arqueduque Francisco Ferdinando, mas acaba se enrolando, fazendo com que o assassinato ocorresse pelas mãos de outra pessoa. Os eventos continuam sendo os mesmos historicamente, mas o desenvolvimento até o fato é fictício e repleto de cenas cômicas, desastrosas e algumas completamente sem- noção, dedicadas inteiramente à diversão do leitor. 

Dimitri é o típico personagem certo no momento errado, extremamente habilidoso, mas completamente desastrado. Suas atrapalhadas rendem cenas muito divertidas, e levam o leitor à curiosidade de saber se ao fim ele conseguirá realmente colocar em prática o plano de “matar Getulio” e se vai acontecer de forma bem executada, ou atrapalhada como sempre acontece nas missões de Dimitri. 

Embora a trama trate de um assassino profissional e esteja repleta de referências, a leitura é fluida, simples e leve. Alguns trechos requerem do leitor, um pouco de conhecimento histórico daquela época, bem como noção da língua francesa, uma vez que há muitas referências de lugares que estão cheias de humor e ironia. Não que esse conhecimento prévio seja necessário para entender a obra, porém tendo uma pequena noção, o livro pode se tornar mais interessante uma vez que brinca com os acontecimentos reais adaptando-os ao assassino Dimitri. 


Dou 4 estrelas ao livro por proporcionar diversão e ao mesmo tempo conhecimento, ainda que seu conteúdo seja, em parte, fictício. A obra também conta com imagens de mapas, documentos, reportagens e fotos que retratam os acontecimentos que envolvem o personagem principal A cada capítulo, me surpreendia com a criatividade do autor, devido às coesas conexões e seu jeito de fazer humor O único ponto que pode não agradar ao leitor é o fato de possuir muitas referências estrangeiras que podem não ser de conhecimento geral, porém esse fato não é um obstáculo no entendimento dos acontecimentos. A leitura é despretensiosa e consegue trazer humor a quem lê, mesmo tratando de uma época cheia de tristezas.


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