sexta-feira, 17 de junho de 2016

Valorizando Correntes - Parte I


Listas de fatos no Facebook são algo que nós enquanto sociedade podemos aceitar sem maiores problemas e até usar de forma boa. Me aventurei a fazer uma sobre mim, comentei em outras e assim recebi mais dois pedidos. Um deles resolvi aproveitar aqui.

Em que pese o fato de que o pedido da Talita estava na frente, o do Gui envolve música diretamente, como as pessoas com quem falei comentaram que boa parte dos meus fatos foram sobre isso, resolvi pegar o dele, que envolve falar de 21 músicas essenciais. Feliz ou infelizmente eu farei algo diferente: não farei apenas a lista, falarei um pouco sobre cada uma, isso talvez fique maior que o outro, mas em compensação até colocarei links pra vocês acompanharem. Quase não terá música nova, mas vocês já sabiam disso. Algumas das músicas normalmente não estariam, mas por isso temos as explicações.




Começamos logo com uma memória afetiva. A música é indiscutivelmente boa, eu devo ter visto esse filme literalmente umas 100 vezes. A trilha sonora inteira é digna de nota, na verdade. A música até hoje é usada em coberturas sobre basquete. Até hoje querem fazer Space Jam 2, ao menos esse todos sabem que é algo despropositado. E o filme tem a versão desenho animado do Eurico Miranda, basicamente.


Os Beatles em 1969 juntaram umas músicas soltas e assim surgiu Golden Slumbers/Carry That Weight/The End. Billy fez algo paralelo e pra mim melhor com Scenes.


Nessa hora os jovens que viram De Repente 30 se levantam, pois ao menos esses conhecem a música. A música por si só já é bonita, a história por trás torna tudo melhor.


Então, como foi bem difundido no fim da década passada, Simonal foi o maior showman que o país já teve, entre vários de seus recursos, ele improvisava. Imagine uma pessoa cantando essa música em vários estilos diferentes de forma perfeita. Primeiro em forma de fado, depois em forma de tango, e enfim, como ele mesmo descrevia “imaginem uma negona enorme, daquelas que tem um vozeirão e que tem junto cinco crioulinhos na guitarra pra acompanhar” e aí mandava um soul numa voz quase tão boa quanto a da Aretha Franklin. Pena que isso que descrevi só está disponível nos extras do Ninguém Sabe o Duro Que Dei, o documentário de 2008. O máximo disponível hoje em dia dos improvisos no Youtube é ele cantando Meu Limão, Meu Limoeiro na velha Tv Record e os registros dele no fim dos anos 70 no Festival Internacional da Canção em Lisboa.


Essa foi uma descoberta recente minha, vagando por um canal e descubro essa música que Elton John e Bernie Taupin fizeram para ele. Sinatra não a gravou, mas a cantou em shows, é daqui que vem o registro. Além disso, Elton gravou um demo que supostamente entraria no álbum The Fox, de 1981. No fim acabou sendo gravada por uma amiga de Elton, Donatella Retore. A letra não sai da minha cabeça desde 2015 e isso não é algo ruim.


E já que estamos nesse território, em que pese o fato de que surgiram muitos crooners modernos a serem chamados de novo Sinatra(Michael Bublé e Jamie Cullum já foram chamados assim), a melhor emulação possível de uma música e o estado de espírito sinatriano é da banda do produtor histórico Don Was. Uma bela música e Frank Jr. canta igualzinho ao pai.


Eu já falei sobre as circunstâncias dessa música antes, mas ninguém lê isso. John Larkin era um pianista de jazz que com gagueira, até por isso era tão bom fazendo o scat. Se enveredou pro eurodance dos anos 90 e prosperou. No fim da década ele gravou seu terceiro álbum embora estivesse doente. Alguns diriam que botar essa versão da música é heresia, mas enquanto a versão oficial já é bonita(e triste), a versão extra-oficial, lançada anos depois pelas backing vocals, onde a voz do Scatman estava bem doente dá um impacto ainda maior pra música.
Ele recitava versos enquanto apenas o refrão era cantado pelas backings. 5 anos depois essa música foi a última que Ray Charles gravou antes de morrer.


A maior percussionista da história veio de uma linhagem latina de percussionistas(o E é de Escovedo), além de ser cria do Prince. A música tem 9 minutos, é um clássico dançante feito por ela e Prince. Vocês notarão que há muitas batidas diferentes nessa música, instrumentos diferentes. Tudo é obra dela. Ao vivo é ainda mais impressionante e performático, o vídeo que coloquei explicará tudo, não quebrarei supresas. E tem isso aqui dela com o Prince.


Recentemente vi uma pessoa cuja opinião respeito muito dizer que não gosta de música instrumental por não ter letras. O nome dessa ser Frankenstein é por ser feita de restos e ainda assim dar certo, chegou a ser #1 na Billboard, algo bem significativo pra uma música de 9 minutos. Foi a precursora dos sintetizadores.


A música que além de ser ótima originou mais um monte baseado em sua linha de baixo bem conhecida. Por exemplo, daí saiu Another One Bites The Dust, do Queen. E Rapper’s Delight, do Sugarhill Gang, música essa que inspirou Ragatanga(internacionalmente conhecida como Aserejé), além de nacionalmente ter reflexos em Rap do Tagarela, de Luis Carlos Miéle e em 2345meia78, de Gabriel, o Pensador.


Uma das coisas que mais valorizo em álbuns é quando eles começam e/ou terminam bem, dá a sensação de coerência no trabalho do artista. Poucos começos são tão significativos como esse acima. 11 minutos. A versão somente com o piano e percussão é ótima, mas a melhor experiência é com toda a banda. A primeira é instrumental e a segunda é um rock movimentado. Ele ainda toca em alguns shows. Elton também sabe encerrar álbuns, o exemplo disso, nesse caso em músicas separadas e assim não entrando aqui é We All Fall In Love Sometimes/Curtains, um ano depois. E pelo amor de Deus, o álbum depois desse começo tem Candle in The Wind, Bennie and The Jets e Goodbye Yellow Brick Road na sequência, tem gente que mataria pra ter uma música tão boa assim na vida, existem greatest hits do próprio Elton que não começam tão bem quanto esse começo do álbum.


Tal qual uma música que é cortada pra tocar nas rádios, essa postagem será dividida em duas. Tal qual Monalisas and Mad Hatters, isso aqui tem uma segunda parte ainda mais divertida que essa, onde discorrerei sobre algo que acho importante em álbuns e umas músicas do século 21 no meio. Deem o seu feedback.


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