sexta-feira, 15 de julho de 2016

"Graceland" 30 Anos - A Hora e a Vez de Paul Simon


A world music teve seus divulgadores a partir dos anos 70, quando Ginger Baker, do Cream, foi à África e gravou com o nigeriano Fela Kuti. Na década seguinte, Malcolm McLaren divulgou vários ritmos do mundo em seu Duck Rock (1983), entre eles a música feita na África do Sul. Foi um sucesso de crítica e entre outras coisas difundiu o rap no Reino Unido, além de alguns raps desse álbum serem sampleados até hoje, vide Buffalo Girls. O maior sucesso no que tange a mistura de música africana com a nossa música conteporânea veio três anos depois e faz 30 anos em agosto. Falaremos hoje sobre a obra prima de Paul Simon: Graceland.

Alguns álbuns se tornam o álbum a ser seguido como exemplo por sua coesão e perfeição. Em 1970 Tumbleweed Connection de Elton John teve esse status. Graceland é outro dessa rara espécie. McLaren afirmou em entrevistas que se Duck Rock não fosse feito, o mundo ficaria sem Graceland. No encarte do cd Simon conta o processo por trás do álbum. Não irei transcrever tudo aqui, basicamente ele recebeu um álbum com música sul africana e se deu conta de que além da música lhe ser feliz e familiar, apesar da sonorização ser diferente. E também que nenhuma banda americana ou inglesa gravou música assim.


Assim, por um ano Paul Simon esteve na África conhecendo os talentos e/ou os trazendo pra estúdios americanos. Várias bandas enriqueceram a experiência, há o funk sul africano, músicos senegaleses, nigerianos, músicas que se alternam entre o inglês e o zulu.Há espaço para uma conexão com a música local graças a uma banda da Louisiana que usa um estilo parecido com o abordado no disco. O estilo em questão se apoia nas músicas terem acordeão e saxofone e por vezes combina-los com puro e simples rock e roll, no caso os pioneiros, cujos hits se baseavam na simplicidade de precisar de apenas 3 notas.

Tudo isso não valeria a pena se o álbum não fosse divertido ou agradável de se ouvir. Felizmente é um álbum extremamente agradável, redefiniu e revitalizou a carreira de Paul Simon (em um ano onde boa parte dos grandes esteve em baixa), além de divulgar bastante a música africana e consolidar o conceito de world music, a mistura de concepções musicais diferentes. É um álbum para se ouvir e aproveitar inteiramente, mas seus melhores exemplos individuais são The Boy in The Bubble, I Know What I Know e You Can Call Me Al.

Na próxima coluna o assunto será cinema, onde compararei duas versões de um filme. A dica é: uma versão tem 19 anos de diferença para a outra.


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