sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Guia do Consumidor | Volume I


Meses atrás eu escrevi sobre o livro do Christgau sobre avaliar música. Após meses praticando acho que vale a pena fazer um Consumer’s Guide, há CDs bons(e ruins) a serem avaliados e tenho um acervo pra fazer dessa uma coluna regular. Vocês lerão e pegarão o estilo da coisa. Eventualmente haverão avaliações não tão boas.

Mark Ronson cada vez mais se tornando um Don Was.

Don Was, junto com seu parceiro de crime David Was fundou uma banda onde as músicas estavam a frente de seu tempo e sempre geniais, Was (Not Was), onde eles produziam as músicas e tinham participações lendárias. A banda entrou num hiato e Don produziu álbuns e hits por toda a década de 90, além de revitalizar a carreira de outros.

Cada vez que pesquiso sobre Ronson fico impressionado. Eu sei que ele produziu Amy Winehouse, mas o resto de seu trabalho é impressionante. Venho esbarrando cada vez mais em suas produções com bons resultados. Eis que depois de anos ele lança seu Uptown Special, algo que lembra o art-funk de Was (Not Was), com suas participações ilustres e suas variações entre estilos. Sem falar que Uptown Funk é parecida com Walk the Dinosaur.

Inclusive, é uma injustiça um álbum tão bom ser somente lembrado pela ótima Uptown Funk (aliás, vocês sabiam que Bruno Mars toca a bateria nessa música?). O álbum consiste em doses de talentos já conhecidos com revelação de gente nova. Assim temos a mistura de Mystikal com Trombone Shorty, Stevie Wonder na introdução e no finale do álbum e Keyone Starr brilhando com I Can’t Lose. O álbum é uma mistura de What Up, Dog? (1987) e The Stranger (1977), de Billy Joel. Um pela combinação anárquica e o outro pela coesão. É um pecado esse CD estar encalhado em algumas lojas. A

Robbie Williams: Rudebox (2006)

Ronson está presente aqui, mas nada tão ótimo. Não é todo dia que os Pet Shop Boys aparecem tão bem em um álbum. Até as partes autobiográficas (The 80’s e The 90’s) são dançantes e/ou interessantes. She’s Madonna talvez seja a melhor música sobre uma diva pop. Talvez tenha faixas demais. B+

João Donato: Live Jazz in Rio Vol. 1 - O Couro tá Comendo! (2014)

Nunca fui tão fã de bossa nova. Sempre lia sobre João Donato no jornal, como ele já com 80 anos ainda trabalhava e criava maravilhas. Esse cd talvez tenha sido uma das melhores aquisições do ano. A parte mais lenta é algo interessante, chamar de música ambiente seria injusto. A parte mais movimentada é surpreendente, em especial pra quem não sabia o que esperar do CD, e reouvir só melhora a experiência. O couro realmente come aqui. A+

Tim Maia: Soul Tim (1999)

É relativamente fácil lucrar com Tim Maia: lançar coletâneas ou relançar seus LPs clássicos, como vi hoje, aliás. Essa aqui é a primeira coletânea feita após sua morte, com (re)gravações que ou são sobras ou não tiveram tempo de ser lançadas. A voz já não é a mesma e isso complica quando se cantam as canções clássicas e as remixagens também não colaboram muito. Até Oceano foi melhor gravada por ele em Nova Era Glacial (1995). Esse álbum se torna indispensável pra coleção por ter a raridade que é O Adeus de Quem Tanto Amei e a melhor versão de Acenda o Farol. B

Phil Collins: Going Back (2010)

O momento em que Phil Collins voltou a ser respeitável. Foi um grande acerto trazer os músicos originais para a gravação. Não é a mesma coisa que os Temptations em Papa Was a Rolling Stone, em compensação fez uma versão melhor de Dancing in the Street que a de Jagger e Bowie nos anos 80. Pensar no álbum como um LP, o dividindo em duas metades, melhora a experiência. B+


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