sábado, 6 de agosto de 2016

Resenha | Brilho - Amy Kathleen Ryan

Mais fascinante trilogia desde Jogos Vorazes. A Terra não existe mais, e em duas naves que procuram um novo mundo no espaço, uma menina de 15 anos precisa casar e engravidar para garantir a sobrevivência da humanidade. Enquanto isso, uma sucessão de acontecimentos eletrizantes torna a jornada pelo espaço algo absolutamente imprevisto. Temas como religião, a escolha da mulher e a ideia de poder e dominação vão aparecendo muito suavemente articulados ao longo da trama, amarrando o leitor com surpresas e reviravoltas estonteantes. São temas universais, postos num livro por uma escritora surpreendente e que promete arrasar a cena literária a partir desta sua fantástica criação.

Waverly e Kieran estão atravessando uma nebulosa pelos últimos anos, o que os impede de admirar as tão conhecidas estrelas que fazem parte de suas vidas desde o nascimento, dentro da Empyrean. Há 34 anos no espaço, a nave tem a missão de povoar a Terra Nova, uma vez que a “Terra Velha” tornou-se um ambiente inóspito para a humanidade. Todavia, a Empyrian não é a única nave com essa missão, nem mesmo a única dentro da nebulosa. 

A narrativa é iniciada num momento íntimo entre os jovens, uma vez que Kieran acaba de pedir para que Waverly se case com ele. Subitamente o clima romântico é dispersado quando a New Horizon, a nave que saiu em missão um ano antes, o que significa estar a anos luz de distância, encontra-se ao lado da Empyrean, causando uma comoção geral acerca das verdadeiras intenções dos tripulantes da New Horizon. 

Quando a ameaça de um ataque torna-se palpável, começamos a conhecer de maneira mais real cada um dos personagens. Waverly Marshall é astuciosa e corajosa; Kieran Alden é uma criança destinada a comandar uma nave que esconde inúmeros segredos sob suas placas de metal; Seth Ardvale tem sua inteligência ofuscada por suas atitudes imaturas, que supostamente deveriam transformá-lo num vilão adolescente. 

Quero me apegar a algo trivial. Não quero pensar no que está acontecendo, na verdade. Prefiro inventar triângulos amorosos insignificantes.

Um dos maiores problemas ao longo da leitura é o triângulo amoroso (indireto) que se forma entre os três protagonistas. Apesar de não ser o ponto principal da trama, o relacionamento está sempre à espreita, criando um ódio recíproco entre Kieran e Seth, que acabam disputando o controle da Empyrean após acontecimentos catastróficos. É particularmente difícil ler através da perspectiva de personagens tão rasos. Felizmente a vida de Waverly a bordo da New Horizon é bem mais interessante, ao passo que é nessa nave onde serão reveladas as motivações para o ataque. 

Anne Mather, a mente que comanda a New Horizon, é uma pastora que através da religião conquistou aliados e poder ao longo dos anos. De acordo com a personagem, o Capitão Jones é o verdadeiro vilão, por não permitir o encontro das naves anos antes, ou seja, negar seu pedido de ajuda. Por alguns instantes, as palavras de Anne ultrapassam as páginas e faz com que desejemos acreditar em suas verdades, provando que a autora soube como construir a personalidade de Anne de forma talentosa. 

O tempo havia se estilhaçado a seu redor. Havia apenas o agora. Agora, ele estava na cela. Agora, estava com fome. Agora, estava com sede. Agora, não podia erguer as mãos e arrancar do peito aquela fome e aquela sede.

Apesar da problemática da obra de Amy Kathleen Ryan ser citada anteriormente é válido ressaltar um ponto importante. A impulsividade parece rondar cada personagem, fazendo com que os mesmos tenham atitudes mal calculadas e ajam de forma por vezes infantil, como é o caso de Seth. Em algumas páginas sentimos que conhecemos os protagonistas e estamos formando uma conexão, porém em seguida os vemos seguirem rumos que vão na direção oposta de seus valores. 


Dito isso, é necessário dizer que Brilho - Em Busca de um Novo Mundo é uma leitura agradável e certamente recomendada para quem procura uma distopia despretensiosa e muito bem construída quando se trata de cenários e trama principal, uma vez que a autora se arrisca e faz com que os assuntos debatidos tenham sua devida importância, fazendo-nos observar o universo de forma completamente diferente.


2 comentários:

  1. Mesmo problema que eu tive: Seth e Kieran. Hahhaha Agora já pode ler Centelha que é um dos poucos segundo livro de trilogia que acho melhor que o primeiro apesar de todo ódio que passei.

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    1. "Brilho" é sensacional quanto ao enredo e a construção dos ambientes, mas deixa um pouco a desejar na hora que precisa descrever os personagens. É como se a autora tivesse tido essa ideia muito boa (ideia brilhante, heh) e não conseguisse criar personagens a altura. Faz sentido?

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