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Estamos sendo justos com Ringo Starr ou Tratado de Starkey #1

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A resposta curta é não. A seguir a resposta longa com argumentos e provas de que é um crime sua carreira solo ser ignorada, em especial a partir de 1992.

Quero começar esclarecendo que não sou tão grande fã de Beatles, reconheço a importância e há músicas fantásticas, o problema é sua imposição, em especial para quem não é um beatlemaníaco e tudo o que ser isso representa. O que isso representa? Fãs obcecados que se tornam chatos, lembrando os de Friends. Tendo dito isso, Starr revolucionou a forma de tocar bateria fazendo o simples, algo que é padrão até hoje. Ele toca pela harmonização, não para aparecer mais, dá o espaço para os outros instrumentos brilharem. Hoje é fácil dizer que qualquer baterista poderia fazer o que ele fez, mas soa como implicância.

Então a banda acaba. Os quatro partem para a carreira solo. Vamos para os melhores(ou nem tanto) momentos de cada um pós-Beatles:
John Lennon fez algumas coisas icônicas, houve aquele show com Elton John no Madison Square Garden em 1974, colaborou em dois álbuns de Ringo (e ia colaborar em um terceiro antes de morrer), teve Yoko Ono em sua vida, era um ativista controverso(pra quem pesquisava além das músicas) e morreu, virando o segundo maior hit de Elton John em 1982.

Paul McCartney teve bons momentos com o Wings, a carreira solo teve muita Linda McCartney até ela morrer, só teve hits até cantar com Michael Jackson (que depois comprou o catálogo de músicas dos Beatles) e Stevie Wonder. Os álbuns vendem de alguma forma, não tem hits desde 1983, vive de mística e profissionalismo. Colaborou em uns 6 álbuns do Ringo. Fez a frase “Paul McCartney em Goiânia” não ser apenas resultado de alguém usando drogas ruins. Perdeu metade de sua grana pra uma perneta que lhe passou a perna, mas passa bem.

George Harrison começou lançando um álbum com as músicas feitas na época dos Beatles que não foram gravadas. Depois disso, grandes músicas e hits eventuais. Colaborou com o cinema financiando Monty Python: A Vida de Brian penhorando sua casa. Low profile. Sua esposa inspirou Eric Clapton escrever Layla. Morreu depois de gravar Anna Júlia(a verdade supera qualquer piada). Co-escreveu os maiores hits de Ringo. Conseguiu fazer um hit usando apenas 6 palavras em repetição.

● Ringo começou com um álbum de standarts, depois um de country. Então surge Harrison com It Don’t Come Easy e Photograph, singles absolutos, além do próprio Starr fazendo Back Off Boogaloo. E então surge Ringo(1973), o álbum que conseguiu reunir os quatro beatles, não na mesma música, mas há colaborações por toda a parte. Surge Goodnight Vienna(1974), tão bom quanto o anterior, com predominância de Lennon, além de Elton John colaborando com uma música. Os álbuns seguintes repetiram a fórmula de tal forma que o público debandou nos próximos 3 álbuns. Ele meio que tenta se reestabelecer desde então. Nunca voltou aos topos da Billboard, mas há muita coisa boa sendo ignorada, mesmo quando há aclamação crítica. Estou aqui pra jogar luz nessa injustiça e lhes apresentar grandes músicas.

A consistência quase perfeita em estúdio desde 1983.
Algo importante a entender sobre a produção de seus álbuns é que sempre haverão participações especiais, nem sempre cantando, o importante aqui é que citarei alguns nomes relevantes a partir daqui, geralmente acontecerá algo bom se clicarem em alguns deles.. No nome de cada álbum há o álbum completo, onde eu citar músicas específicas, eu posso ou não ter colocado versões ao vivo, alternativas ou as de origem.

Depois de fazer três álbuns ruins seguidos, ganhar o direito de pedir música e implorar aos céus para voltar a fazer música boa, surge Stop and Smell the Roses(1981), que tem grandes momentos, mas ainda é irregular. Ainda assim teu seu último hit top 40, Wrack My Brain(Harrison retornando às colaborações). É nesse onde Lennon colaboraria se não fosse a inconveniência de morrer. Após os resultados decepcionantes seguidos, ele fica sem gravadora. Ele se junta a Joe Walsh dos Eagles, lança Old Wave(1983), que é ótimo, mas só lançado em poucos países: Brasil, México, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Canadá e Holanda.

É um álbum consistente, com apenas um produtor e uma banda fixa na maior parte do tempo. Oito das dez faixas são ótimas, com destaque para In My Car, Be My Baby, I Keep Forgettin’ e a jam session Everybody is in a Hurry But Me, com John Entwistle, Eric Clapton e Ray Cooper. Apesar de tudo isso, as vendas naufragaram e o retorno aos álbuns de estúdio seria apenas em 1992, onde seria aclamada pela crítica sua renascença.

Time Takes Time(1992)

Com o advento do sucesso das turnês da Ringo Starr and His All Starr Band (falarei disso depois) a partir de 1989, Ringo se motivou a voltar aos estúdios. Contratou bons compositores, bons produtores, entre eles Don Was, se envolveram no projeto. O som por vezes remete o estilo dos anos 60, mas há momentos mais conteporâneos. Há algumas músicas ótimas e as medianas não comprometem a experiência. Weight of the World foi o hit(moderado), grande música. Outros destaques são Don’t Go Where the Road Don’t Go e In a Heartbeat. Infelizmente esse álbum foi lançado em um ano muito acima da média, assim, não recebeu o valor merecido. Um lado B desse álbum, Everyone Wins, seria reutilizado 18 anos mais tarde. Nas participações temos Brian Wilson. e Jeff Lynne.

Vertical Man(1998)

Em 1995 foi lançada a primeira grande antologia dos Beatles, que teve entre outras coisas os 3 integrantes restantes lançando música inédita. A partir daí, aproveitando o embalo, retomou a All Starr Band e lançou Vertical Man.

Aqui temos uma nova fase, surge Mark Hudson, que produziria seus álbuns por uma década. O retorno de uma banda fixa. O envolvimento direto de Ringo nas composições ao invés de apenas escrever esporadicamente e focar mais em escolher músicas alheias. As participações nesse álbum foram várias, pois a porta do estúdio estava sempre aberta pra visitas e quem estive visitando era convidado a participar da gravação. Por exemplo, uma mulher apareceu no estúdio para cobrar o aluguel. A primeira pergunta que Starr fez foi se ela sabia tocar algum instrumento, no que ela respondeu violoncelo. Ringo a falou pra buscar o violoncelo e assim ela tocou em Vertical Man(a faixa). Fora isso, o álbum tem participações de McCartney, Harrison, Alanis Morrisette, Tom Petty, Brian Wilson de novo e Ozzy Osbourne.

Há uma sensação de Beatles, mas o álbum é bem Ringo. Em boa parte é animado, mas um grande destaque é a bela e triste King of Broken Hearts. Outros destaques são One, I Was Walkin e a faixa título. Enquanto as vendas foram melhores que as do anterior, ainda foram abaixo das expectativas. Paul McCartney conseguiu seu melhor resultado em anos(tanto com vendas, quanto na qualidade) com Flaming Pie um ano antes. Mas o importante é que agora havia coesão e alguma regularidade poderia surgir.

Até então tivemos bons álbuns, alguma notoriedade nos charts, mas faltava ainda o segundo auge dessa parte. Isso será abordado na segunda parte desse artigo.


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