quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Resenha | A Desconstrução de Mara Dyer - Michelle Hodkin

Um grupo de amigos... Uma tábua ouija... Um presságio de morte. Mara Dyer não estava interessada em mensagens do além. Mas para não estragar a diversão da melhor amiga justo em seu aniversário ela decide embarcar na brincadeira. Apenas para receber um recado de sangue. Parecia uma simples piada de mau gosto... até que todos os presentes com exceção de Mara morrem no desabamento de um velho sanatório abandonado. O que o grupo estaria fazendo em um prédio condenado? A resposta parece estar perdida na mente pertubada de Mara. Mas depois de sobreviver à traumática experiência é natural que a menina se proteja com uma amnésia seletiva. Afinal, ela perdeu a melhor amiga, o namorado e a irmã do rapaz. Para ajudá-la a superar o trauma a família decide mudar para uma nova cidade, um novo começo. Todos estão empenhados em esquecer. E Mara só quer lembrar. Ainda mais com as alucinações - ou seriam premonições? - Os corpois e o véu entre realidade, pesadelo e sanidade se esgarçando dia a dia. Ela precisa entender o que houve para ter uma chance de impedir a loucura de tomá-la...

A Desconstrução de Mara Dyer irá contar a história de uma adolescente que recentemente perdeu os amigos em um acidente onde ela foi a única sobrevivente. Em meio a muitas sequências de estresse pós traumático, promovidas pelo acontecido, o leitor passa muito tempo tão confuso quanto a protagonista, sem conseguir distinguir o que é real e o que não é.

Quando Mara Dyer tem a ideia de mudar para um nova cidade para conseguir superar o trauma sua família prontamente apoia sua decisão. Já na Flórida, Mara precisa frequentar um colégio particular repleto de herdeiros, onde imediatamente sente-se deslocada. Talvez seja por isso que seus amigos continuam aparecendo em seus pesadelos, fazendo com que seja difícil superar, ou melhor, querer superar.

Lutando um conflito interno durante a maior parte do tempo, Mara Dyer passa a viver seu pior momento. Conhecer Noah Shaun não ajuda: britânico, prepotente e incrivelmente bonito. Shaun é o canalha que todos conhecem e que consegue qualquer garota, apesar de sua fama. E parece que Mara tem potencial para ser seu novo brinquedinho.

O certo seria permitir que a pergunta permanecesse sem resposta. Deixar Noah acreditar, mesmo que fosse impossível, que eu não o queria. Que eu não o amava. Então tudo estaria acabado. Noah seria a melhor coisa que quase me aconteceu, mas assim ele ficaria seguro. Escolhi errado.

Os diálogos entre Mara e Noah acontecem de forma rápida e são repletos de tiradas que revelam grande nível de sarcasmo partindo de ambos. Porém, o que deveria ser considerado pelo leitor um novo casal ao melhor estilo Nora e Patch (Hush, Hush) acaba entregando diversas vezes um diálogo pouco natural, clichê e até mesmo infantil. Mas vale ressaltar que isso acontece graças a tradução, que parece ter sido feita as pressas no caso de A Desconstrução de Mara Dyer, pois em inglês flui muito melhor.

Quanto a trama, ela se desenrola de forma a contemplar muitos altos e baixos, uma vez que em determinados arcos o leitor pode ter a sensação de um súbito avanço, fazendo com que pontos chaves se percam entre as páginas. Felizmente, após da página 200 o livro ganha ritmo, seguindo um caminho diferente e afogando o leitor com novas informações (algumas vezes convenientes demais, entretanto).


A protagonista deixa a desejar em alguns pontos, confesso. Seria muito interessante ver uma abordagem diferente dos pontos de vista, com narrativas de Noah ou até mesmo de uma pessoa desconhecida com um relógio caro no pulso. Mas isso não acontece. E uma parte da trama torna-se descartável sob um olhar mais crítico.

A verdade é: não é um livro ruim. A premissa é realmente boa. Mas Michelle Hodkin parece se descuidar em alguns pontos, como se um punhado de capítulos tivesse sido escrito em um espaço de tempo que fizesse com que ela esquecesse onde estava na trama.


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