segunda-feira, 3 de outubro de 2016

15 Anos de "Songs From The West Coast"


Eu tenho um post pronto pra março de 2017, quando Elton John fizer 70 anos, avaliando sua discografia de 1992 até os dias atuais, o seu período livre de drogas e no qual sou especialista. Hoje falarei do melhor álbum desse período e um de seus melhores da carreira. No dia que essa postagem for pro ar, Songs From The West Coast fará 15 anos. É o seu melhor álbum em muito tempo, a crítica o evoca como o melhor álbum desde 1976, onde sua fase clássica acaba. É o melhor, de fato, mas há álbuns ótimos ignorados, mas isso eu abordarei em janeiro. Aqui falaremos do primeiro álbum que dele que ouvi, tanto que devo narrar o cenário.

Nilópolis, 2003. Eu já ouvia alguma coisa de Elton John e fora as coisas inevitáveis, não ouvia muita coisa atual. Um dia, esbarrei na Rádio Uol, que naqueles tempos você simplesmente entrava, escolhia um artista e escutava o álbum via streaming. Os dois discos que mais ouvi foram dele: Here And There, um ao vivo duplo de 1976 com um show de 1972 e um repertório mais antigo e o show de 1974 no Madison Square Garden com a participação de John Lennon. O outro era o que vamos falar hoje. Um que ouvi dezenas de vezes.

Background

Após bons esforços no começo e metade da década, além do Oscar com O Rei Leão, o álbum anterior a esse foi decepcionante. Vendeu basicamente porque Elton John se manteve em evidência com a morte da Princesa Diana e ele cantando a versão alterada de Candle In The Wind, o single mais vendido da história. The Big Picture foi um álbum com boas letras, mas muito deprimente e com uma produção no automático. Adulto contemporâneo meio genérico, algo que talvez nem a JB FM tocaria. É o álbum que Bernie Taupin, o letrista de todos esses anos, menos gosta. Além disso, ao longo dos anos existiu uma reclamação para que Elton tocasse mais piano em seus álbuns, um retorno às origens.

Esse álbum é marcado por ser o primeiro em 32 anos de parceria em que Elton John e Bernie Taupin fazem as músicas estando na mesma sala. Normalmente um fazia a sua parte primeiro e o outro completava, assim letras já foram mandadas por cartas, e-mails e até mesmo corrigidas por telefone. Além disso, esse álbum foi inspirado pelo disco Heartbreaker, de Ryan Adams.

Faixa a faixa

The Emperor’s New Clothes já dita o tom do álbum no começo de seu piano. É uma música que embora não tenha se tornado um hit, uma preferida dos fãs e é tocada em shows solo. Dark Diamond marca o retorno de Stevie Wonder colaborando, após I Guess That’s Why They Call It The Blues em 1983 e Go On and On em 1993. É uma ótima música. Look Ma, No Hands é uma música que resume o conceito do álbum, que é o piano no centro de tudo e a banda sendo um acompanhamento, tal qual uma batata frita para o bife. American Triangle tem a participação de Rufus Wainwright nos vocais, aborda a morte de Matthew Sheppard, um estudante gay brutalmente assassinado em 1998. Original Sin é talvez a mais bonita de todo o álbum e uma das três que tiveram clipe, além de ser o único onde ele aparece.


Curiosamente o patinho feio desse clipe é Mandy Moore, que acabou se casando com Ryan Adams. A mãe é Elizabeth Taylor.

Birds é um country rock simpático. I Want Love é a música desse álbum que toca até hoje nas rádios adulto contemporâneo daqui. O clipe é com Robert Downey Jr. recém saído da reabilitação andando por uma casa vazia. The Wasteland é uma homenagem a aquele que vendeu a alma na encruzilhada e assim criou o blues: Robert Johnson. É a mais divertida do álbum pra quem quer ouvir algo um pouco mais pesado. Ballad of The Boy In The Red Shoes é uma canção baseada em sua vivência com um amigo com AIDS nos anos 80, onde demoraram para investir contra a doença e pesquisas, o que causou muitas mortes que poderiam ser atenuadas. Uma década depois dessa música ele escreveu uma biografia que relata suas experiências com sua instituição contra a doença. É outra favorita dos fãs pra shows solo. Love Her Like Me e Mansfield são boas, mas são filler, a diferença é que é um filler melhor que 90% do The Big Picture (o qual as melhores músicas eram os B-sides). This Train Don’t Stop There Anymore encerra de forma brilhante o disco com uma reflexão sobre o passado e um clipe onde Justin Timberlake é a versão setentista de Elton.

Em suma, o álbum é um clássico instantâneo, uma nota nove facilmente pra qualquer um com bom senso.

Na prática, o álbum vendeu muito bem. Já os singles não entraram no Top 100 da Billboard, quebrando uma sequência de 31 anos seguidos tendo ao menos uma música, mesmo no ano em que ele ficou parado pra tirar os nódulos da garganta e ainda assim botou Candle In The Wind no #1 pela segunda vez. E foi indicado pro Grammy por dois anos seguidos.

Eu sempre defendo esse disco como um dos melhores que já ouvi na vida e um que tenho que defender até pra alguns fãs de Elton John que são um detratores de quase tudo pós-1976, ano de Blue Moves. Espero que se interessem por esse belo esforço que foi o início da fase de retorno às origens de Elton.



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