Top Social

ESTAMOS SENDO JUSTOS COM RINGO STARR OU TRATADO DE STARKEY #2

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A resposta curta é não. A seguir a resposta longa com argumentos e provas de que é um crime sua carreira solo ser ignorada, em especial a partir de 1992.


Cinco anos se passaram. Nesse meio tempo Ringo lançou um álbum de Natal que foi ótimo, mas sem divulgação da gravadora, o que o fez sair dela. George Harrison morreu em 2001 com a última música por ele gravada sendo uma versão em inglês de Anna Júlia. A fórmula de sucesso do último álbum foi repetida e melhorada, evoluções foram notadas por todos os envolvidos.

Nesse álbum as participações foram entre outras de Willie Nelson e o fato de ter Eric Clapton e David Gilmour como vizinhos ajuda na questão de disponibilidade.

É talvez o melhor álbum de toda essa relação, o auge da parceria entre Starr e Mark Hudson. Tudo o que é tentado dá certo. É um pouquinho predominante em partes mais lentas ou românticas, a parte movimentada é excelente, o próprio Ringo diz que ali está o melhor trabalho dele em bateria nos últimos 10 ou 15 anos. E ele retoma um pouco o country que sempre gostou.

É outro álbum que começa com maestria, com Eye to Eye. Instant Amnesia é outro ponto alto da parte movimentada. Never Without You é o tributo a George Harrison com Eric Clapton na guitarra. Você suporia que gente com a voz dele não deveria cantar músicas românticas, mas funciona muito bem, quando você se prontifica a ouvir um álbum dele, a voz faz parte do pacote, estamos aqui pelo espetáculo. Há o making of desse álbum, é bem interessante. Um documentário de 40 minutos que vinha como dvd extra nas versões deluxe do CD.


A seguir, um álbum tão bom quanto Ringo Rama, mais movimentado e apostando em mais variações de ritmos, sendo uma das melhores músicas um surf rock.

Esse é o pico da parceria entre Starr e Hudson, outro álbum onde tudo que se tenta dá certo. É um absurdo não ter entrado em nenhum chart. A crítica a essa altura o ama, o público vai aos shows, mas não compra os cds. Se é produzido com o nome de alguém da moda envolvido, virava clássico, que nem quando Dr. John lançou o Locked Out com o Dan Auerbach do Black Keys no comando. Ganhou Grammy e tudo.

Falemos das músicas. Houveram bem poucas participações, só o bom e velho Billy Preston e Chrissie Hynde. Como sempre o álbum começa ótimo com Fading In, Fading Out, as três iniciais são fantásticas, na verdade, com destaque pra Oh, My Lord, a resposta para My Sweet Lord. A canção título também é ótima, a esse ponto algumas pessoas reclamariam que muitas das músicas dele falam de paz e amor. Mas o ponto é que vindo dele há credibilidade, é algo agradável. É um disco bem mais animado que de costume. Free Drinks fecha bem o disco, é algo diferente de seu estilo e faz até referência ao refrão de Saturday Night’s Alright(For Fighting) em um breve momento. Há um making of para esse álbum.

É um álbum magnifico e nada feito após se iguala a esse e Ringo Rama, embora ainda sejam bons esforços.


Starr e Hudson produziram um último álbum, então houveram divergências nunca totalmente explicadas e basicamente eles nunca mais trabalharão juntos. Histórias sobre abandono de direção musical da turnê para ir a um programa de TV, divergências sobre instrumentos reais ou sintetizados, as versões variam. O fato é que um produtor novo se fez necessário. Eis que surge Dave Stewart, com sua fama do Eurythimics e um dos maiores produtores ingleses. Assim nos créditos está “Produzido por Ringo Starr e Mark Hudson e Re-produzido por Ringo Starr e Dave A. Stewart”

É o primeiro em muito tempo que não tem a participação especial de alguém, é ele e sua banda de 10 anos fazendo uma performance derradeira. Em sua essência é outro álbum dessa parceira de sucesso, mas com uma roupagem diferente, querendo ser moderna(ou tentar se encaixar de uma forma contemporânea). Funciona? Eventualmente, mas faz imaginar que seria bem melhor sem o filtro mágico de Stewart na re-produção. Faria jus à grandeza que esse álbum almejou quando lançado, ser o salto de volta pro topo.

E musicalmente? É bom, ótimo em alguns pontos. Como todo álbum dele, a primeira faixa é ótima, Liverpool 8 inicia uma sequência de faixas, a partir desse disco, com nostalgia de Liverpool. Essa é singela. A primeira metade do álbum funciona muito bem, com destaques para For Love e Gone Are The Days(essa referenciando It Don’t Come Easy). A segunda se arrasta, mas R U Ready é uma inesperada música com bandolins refletindo sobre a morte e o pós-vida. Uma versão bonitinha e inesperada de Emily, de Elton John, se algum paralelo pode ser estabelecido.

Enfim, muito potencial desperdiçado, apesar do esforço dedicado ao projeto.


O momento onde Ringo está no comando da produção. Entre seu som clássico e eventuais inovações, o resultado foi bem satisfatório. Alguns integrantes da banda antiga permaneceram após a crise com Hudson, as participações voltaram em peso, em especial de pessoas envolvidas ao mesmo tempo com a All Starr Band. McCartney volta, Joe Walsh retorna, surgem Ben Harper e Joss Stone e da All Starr Band de 2006 temos Richard Marx, Billy Squier e Edgar Winter. Além disso tudo, Don Was retorna, dessa vez no baixo e Dave Stewart permanece, agora nas guitarras.

Saladas assim no passado seriam uma receita pro desastre, mas tudo foi administrado brilhantemente. A fórmula segue com uma boa canção inicial, ainda que seja a pior inicial desde 1981(Fill in The Blanks), canções sobre paz(Peace Dream), a sequência das músicas recordando Liverpool(The Other Side of Liverpool, talvez a melhor aqui), um dueto com McCartney(Walk With You, que nas apresentações promocionais foi substituído por Ben Harper) e outras colaborações, com Who’s Your Daddy sendo o destaque, com Joss Stone predominante na música e Edgar Winter no saxofone.

É um álbum cuja maior força é ter algumas coisas diferentes da fórmula de sucesso dos últimos quatro, as músicas mais lentas perderam um pouco da grandeza, nada tão comprometedor.


Nesse tempo em que vivemos, é preciso fazer um álbum muito bom para compensar o fato de ter apenas 29 minutos. Esse bate na trave. Um esforço apressado, mas não é mal feito, você só não se questiona do porque de tantas regravações porque elas são o ponto alto do disco. É animado, é bom, mas é limitado. A única música lenta não funciona. Dave Stewart permanece e faz mais uma música de nostalgia sobre Liverpool, podendo assim pedir uma no próximo álbum e no Fantástico.

O começo é muito promissor, Anthem é excelente, o melhor início de álbum desde 2005. E então surge Wings, uma música do Ringo the 4th(1977) que aqui é revitalizada em um reggae surpreendente. Step Lightly por sua vez é de Ringo(1973), completamente reinventada e um dos pontos altos aqui. De fato, 6 de 9 faixas são grandes acertos, mas a sensação de que o potencial não foi aproveitado deixa um gosto estranho. Ironicamente esse álbum vendeu de forma razoável em comparação aos outros.


Estamos falando aqui do melhor que uma pessoa de 75 anos pode fazer. Ela pode fazer muito. O ritmo pode ter ficado só um pouquinho lento, mas é o melhor da década e até mesmo melhor que Liverpool 8, algo que o coloca em um patamar interessante.

Lembram de Dave Stewart? Ele pediu música e claro que foi outra sobre Liverpool. Ao menos ele teve a decência de não botar o nome da cidade na música de novo. E não me entendam mal, todas as 4 músicas de nostalgia da cidade são ótimas. Assim surgiu Rory and the Hurricanes, uma música que recorda a banda onde Ringo estava antes de ir para os Beatles e abre o álbum. A canção título faz umas 40 referências a músicas do Fab Four na letra e ainda assim é boa.

Você fica sentindo a falta de algo no estilo de Eye to Eye ou Fading In, Fading Out, ainda que o álbum seja perfeitamente coeso. O melhor aqui está no fim. Confirmation é um soul como nunca feito por ele antes, houve algum esforço para melhorias. Let Love Lead encerra perfeitamente o álbum. Os convidados são praticamente os mesmos, dessa vez a All Starr Band grava e compoe pela primeira vez toda junta uma música: Island in the Sun. No fim das contas ele está nessa pela diversão da música e há um acerto muito grande aqui.

Let Love Lead seria o título do álbum e seria uma ótima música pra divulgar o álbum, mas Postcards From Paradise é um nome inspirado e que estimula a imaginação.

Conclusões

As pessoas são esnobes e só reconhecerão parte do valor quando ele estiver morto, acontece com muita gente, mas algum reconhecimento de forma prática poderia ter sido dado enquanto ele ainda está por aí, ativo e trabalhando. Espero que vocês tenham escutado as músicas que recomendei e elas sirvam de algo, por que não? Quanto a habilidade de Ringo, algo que sempre é questionado, as vezes a vitória está em fazer o simples, de que adianta tentar e se gabar de fazer o complicado e elaborado, se você não consegue o básico? Ele revolucionou a forma de tocar, é amplamente respeitado pelos bateristas e por todos os outros que entendem de música.

Post Comment
Postar um comentário