sábado, 1 de outubro de 2016

Resenha | Gata Branca - Holly Black

Cassel vem de uma família de Mestres da Maldição - pessoas que têm o poder de mudar emoções, memórias e destinos com o mais leve toque das mãos. Mas fazer isso é ilegal, o que significa que todos eles são criminosos. Exceto Cassel. Ele não tem o toque mágico, está fora: ele é o único filho normal em uma família paranormal. O único detalhe é que matou sua melhor amiga.

Tentando fugir de seu terrível passado, Cassel faz de tudo para ser como os outros garotos. Uma noite, porém, tudo vai por água abaixo: depois de sonhar repetidas vezes com uma estranha gata branca, um ataque de sonambulismo o põe em perigo e ele começa a achar que seus irmãos estão escondendo mais do que alguns segredos.

Há algum tempo, em um início de ano repleto de altos e baixos, quando participei da Maratona Literária #EuTôDeFérias, tive a oportunidade de, pela segunda vez, ler algo escrito por Holly Black. Pouco tempo antes havia me aventurado em A Menina Mais Fria de Coldtown, obra com a qual vivo até hoje uma relação de amor e ódio. Felizmente, graças a Gata Branca, pude começar a entender o porquê da autora ser tão reconhecida. 

A história de Cassel Sharpe ganha vida num cenário que combina o fantástico e o distópico. O governo dos Estados Unidos considera todos os Mestres da Maldição criminosos, o que a grande maioria é, pois trabalha para uma espécie de círculo mafioso, onde determinadas famílias ditam as regras. Logo, Cassel se encontra no meio do fogo cruzado, pois, apesar de não se encaixar em sua própria família, por não possuir poderes, ele também não se encaixa na boa e velha sociedade americana.

Nosso professor dizia que, se alguém viesse em nossa direção com suas mãos nuas, deveríamos considerar aquelas mãos potencialmente tão mortais quanto facas.

Um pequeno toque pode transformar um coração em pedra, o que acaba por tornar o uso de luvas obrigatório. Cassel as usa, mesmo sabendo que não fará mal a ninguém. Em diversos momentos Cassel me lembrou Nathan Byrn (Half Bad); um forasteiro em sua própria casa, ouvindo os sussurros, sendo deixado de lado por não possuir um dom. Ele é carismático em sua luta por reconhecimento, o que faz com que a leitura seja extremamente agradável. 

Além do protagonista, nos deparamos com diversos personagens intrigantes, que captam nossa atenção desde o primeiro momento, como Philip e Barron, que escondem segredos inimagináveis. A mãe de Cassel é um exemplo de personagem que parece ser o que não é. Espero que Sandra apareça nos próximos livros e revele sua verdadeira personalidade após passar alguns anos na prisão. 


Holly Black criou uma realidade alternativa enigmática e envolvente, que combina perfeitamente com sua narrativa rápida e direta. Seus personagens apresentaram um desenvolvimento impecável e o leve cliffhanger no final provou que a autora é definitivamente mais esperta que os leitores. Não havia melhor forma de finalizar essa maratona. Mal posso esperar para ler Luva Vermelha.



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