sábado, 8 de outubro de 2016

Resenha | House of Night - P.C. Cast e Kristin Cast


Adeus, Morada da Noite.

Lá atrás, em 2009, começava minha jornada no universo vampírico criado por P.C. Cast e Kristin Cast, mãe e filha que formaram uma dupla poderosa para dar vida a série House of Night, mesclando a experiência de P.C. no ramo literário e tom jovial que Kristin poderia acrescentar a seus livros. Hoje, sete anos e doze livros depois, chega a hora de dar adeus a Morada da Noite, lar de Zoey Redbird e sua horda de nerds.

 Aos treze anos, quando iniciei Marcada, primeiro livro da série, me deparei com uma mitologia vampiresca completamente diferente de qualquer outra que já havia tido contato. Em House of Night os vampiros ostentavam marcas – tatuagens em seus rostos que complementavam uma Lua na testa – que simbolizavam sua condição, além de representarem Nyx, a Deusa que personifica a Noite. 

Zoey e seus amigos eram todos Novatos, ou seja, possuíam somente uma Lua em suas testas, indicando que a transformação ainda não havia sido completada. Sendo assim, todos caminhavam numa corda bamba, pois a qualquer momento seus corpos poderiam rejeitar a transformação, levando-os à morte. A perspectiva de mergulhar nesse universo onde regras eram ditadas por um Conselho Supremo e pelo Manual do Novato 101 era empolgante. E durante um tempo a série atingiu minhas expectativas.

Porém, por volta do quarto ou quinto livro, Indomada e Caçada, respectivamente, as autoras perderam o charme. Aquelas páginas, antes repletas de magia, intrigas e mistérios, acabaram tornando-se maçantes, extremamente lentas e, algumas vezes, até mesmo desnecessárias.

Surgiram muitos pontos de vista – algo que quando bem trabalhado pode ser um trunfo, mas não foi esse o caso –, mortes, vilões e romances. Ah, os romances! Triângulos (e quadrados) amorosos foram criados e ganharam um foco maior do que deveriam, fazendo com que a trama perdesse o rumo. O que estava acontecendo com a família Cast?

Por vezes pensei em desistir. Mas confesso que depois de cinco livros a gente começa a pensar “Já cheguei até aqui, não faz sentido não continuar”. Então, depois de adiar a leitura por um tempo considerável, resolvi que deveria dar uma nova chance as autoras. Foi complicado e entediante, é preciso admitir, pois House of Night já havia perdido o brilho outrora tão cativante.

A partir de Destinada, nono livro publicado, é possível perceber que P.C. e Kristin tentam se aproximar do que antes havia sido uma série literária com grande potencial e, apesar de não obterem o resultado esperado, elas conseguem dar os primeiros passos para um desfecho que apresente um pouco de dignidade.

Não me entendam mal se pareço muito dura com a série que por um breve momento devo ter considerado “favorita”. Não é apenas uma questão de ter desenvolvido um maior senso crítico frente as escolhas literárias que fiz desde os treze anos – apesar deste ser um fator que possui certo peso na hora de escrever estas considerações finais. Tem peso muito maior o descompromisso de P.C. e Kristin Cast frente àquilo que havia sido proposto; em determinado momento as autoras se perdem e criam diversos elementos que não cabem à House of Night, transformando os livros numa verdadeira sopa de letrinhas.

Quanto ao “final feliz” tenho pouco a dizer, além de afirmar que foi um final honesto. Como no último capítulo de uma novela de Manoel Carlos, o bem vence o mal e aqueles que deveriam ser castigados recebem suas devidas punições. É bonito de se ver, até. Porém é inegável que Zoey Redbird, mesmo com todas as suas escolhas ruins e personalidade egoísta, merecia muito mais do que aquilo lhe foi concebido. Em suma, seis livros seriam o bastante.​





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