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Resenha | Novembro, 9 - Colleen Hoover

sábado, 22 de outubro de 2016
Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos – a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?


Há dois anos, Fallon O'Neil sofreu um acidente que mudou drasticamente sua vida, especialmente sua carreira como atriz. Tendo parte do corpo queimada, inclusive o rosto, Hollywood a abandonou quando a garota, com dezesseis anos na época, mais precisava. Sua série de TV passou a ser protagonizada por alguém mais bonita e menos talentosa, o que apenas ressaltou o quanto a aparência é importante para as pessoas. Mas sua família não daria importância a algo tão fútil, certo? Errado. 

Seu pai, Donovan O'Neil, astro hollywoodiano que ficou conhecido por representar Max Epcott, sempre personificou todos os clichês da indústria, até mesmo quando a filha era vítima da crueldade do ramo. Agora, quando Fallon tenta fazer planos de se aventurar na Broadway, Donovan não consegue deixar de ressaltar que esse é um ramo inferior e que a garota deveria seguir outro rumo profissionalmente. Fallon, é claro, fica devastada com a insensibilidade do pai e se dá conta do quanto esses encontros serão inúteis. Até que surge Benton James Kessler

Eu rio, aliviado que ela… que ela, simplesmente, existe; e que temos a sorte de existir no mesmo espaço de tempo, no mesmo lugar do mundo, no mesmo estado; e que, após todos esses anos, eu, surpreendentemente, não mudaria um único detalhe do que acabou nos juntando.

Ele havia notado Fallon da mesma forma que ela o notou. Quando "Max Epcott" começa a involuntariamente insultar a filha, Benton surge a seu resgate fingindo ser seu namorado. A partir desse momento o que parecia ser um péssimo dia, passa a ser um nove de novembro cheio de significado. 

Confesso que iniciei a leitura sem saber muito sobre a trama além do fato que move todo o enredo: Ben e Fallon concordam em se encontrar apenas uma vez no ano, na mesma data, no mesmo local, sem manter nenhum tipo de contato durante o período que ficam separados. Pode parecer loucura, e até mesmo uma fórmula batida à primeira vista, mas Colleen Hoover abraça os personagens e escreve como se sua vida dependesse disso, criando um romance cheio de personalidade, desespero e angústia. 

Nenhuma combinação de palavras escritas poderia fazer justiça a esse momento.

A cada ano percebemos as mudanças nas vidas dos protagonistas e o quanto isso reflete naquele nove de novembro específico. Fallon, com o tempo, passa a se tornar mais confiante quanto a seu corpo e Ben cresce ao ser obrigado a enfrentar momentos ruins que lhe exigem mais maturidade do que nunca. Mas como nem tudo são flores, a história dos dois tem inúmeros altos e baixos, fazendo com o que o "felizes pra sempre" pareça cada vez mais inalcançável.


Não tenho muito orgulho em admitir que negligenciei Colleen Hoover durante os últimos anos por pensar que seria apenas mais uma autora com uma proposta bonitinha para seus livros. Hoover ultrapassa a mesmice e entrega a seus leitores um new adult capaz de impactar de forma tão direta a ponto de que a última página te puxe novamente ao início, pois toda a construção de personagens, cenários e narrativas são sólidas e impecáveis, mostrando o poder que é capaz exercer uma obra bem escrita e estruturada.

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