terça-feira, 22 de novembro de 2016

Resenha | O Lado Feio do Amor - Colleen Hoover

Quando Tate Collins se muda para o apartamento de seu irmão, Corbin, a fim de se dedicar ao mestrado em enfermagem, não imaginava conhecer o lado feio do amor. Um relacionamento onde companheirismo e cumplicidade não são prioridades. E o sexo parece ser o único objetivo. Mas Miles Archer, piloto de avião, vizinho e melhor amigo de Corbin, sabe ser persuasivo... apesar da armadura emocional que usa para esconder um passado de dor. O que Miles e Tate sentem não é amor à primeira vista, mas uma atração incontrolável. Em pouco tempo não conseguem mais resistir e se entregam ao desejo. O rapaz impõe duas regras: sem perguntas sobre o passado e sem esperanças para o futuro. Será um relacionamento casual. Eles têm a sintonia perfeita. Tate prometeu não se apaixonar. Mas vai descobrir que nenhuma regra é capaz de controlar o amor e o desejo.

É engraçado como as pessoas dentro da comunidade literária veem um livro que apresenta algumas cenas de sexo e automaticamente o colocam na pilha de "romances eróticos", muitas vezes descartando-os. Gostaria de ressaltar que existe um gênero conhecido como new adult e é nele que os livros de Colleen Hoover se encaixam. Por quê? Porque existe conteúdo além da atração sexual entre protagonistas. Esse é o caso de O Lado Feio do Amor.

O amor nem sempre é bonito, Tate. Às vezes você passa o tempo inteiro desejando que um dia ele mude. Que melhore. E aí, antes que perceba, você já voltou para a estaca zero e perdeu o seu coração em algum lugar no meio do caminho.

Após a leitura de mais de trezentas páginas em dois dias posso afirmar que O Lado Feio do Amor entrou para a lista de favoritos do ano. Caso não fique claro através da sinopse, o romance de Hoover fala sobre um relacionamento abusivo, mas que não começa dessa forma. Tate e Miles concordam com a regra "apenas sexo" e agem em prol do divertimento e prazer de ambos. Até que Tate se apaixona. A partir daí temos um teor abusivo; basta ver as atitudes de Miles quando percebe os sentimentos da garota. 

Tate Collins não é, nem de longe, a melhor protagonista da história. Ela se deixa levar pela atração que sente por Miles e acredita que pode consertá-lo, colocando-o sempre em primeiro lugar, como se suas vontades e opiniões não importassem. É doloroso ver como lhe falta amor próprio, honestamente. Tate é bem diferente de Fallon (Novembro, 9) e em alguns momentos o leitor fica desejando que as protagonistas de Colleen Hoover fossem mais similares.

[...] ele preenche meu coração mais e mais, e, quanto mais se infla de pedaços dele, mais doloroso vai ser quando Miles arrancá-lo do meu peito como se seu lugar de direito nunca houvesse sido ali.

Miles Archer é aquilo que promete desde o início: bem sucedido, focado no trabalho, bom amigo, com um passado que não vale a pena ser comentado e um futuro incerto. A autora faz algo inteligente ao alternar o ponto de vista a cada capítulo, porém, aqueles que são narrados por Miles se passam seis anos antes, quando algo mudou sua percepção de mundo. Não, o acontecimento traumático não justifica suas atitudes, apenas prova que ele não sabe - assim como não sabia na época - como lidar com seus fantasmas.

Meu lado fangirl aflorou em alguns momentos durante a leitura, admito. Quando Tate finalmente toma uma atitude em relação a dinâmica entre os dois fiquei bastante orgulhosa. Assim como me enchi de esperanças quando Miles percebe seu egoísmo e passa a se redimir por suas ações. Apesar dos pesares, torci para que os personagens amadurecessem e ficassem juntos, mesmo que não romanticamente.


Em seu oitavo livro publicado, a autora cria uma sintonia entre algo que é quase um tabu - as relações sexuais na literatura - e uma trama com imensa carga emocional e maturidade, mesmo que essa não venha diretamente dos personagens. É preciso, em obras como essa, deixar o preconceito de lado e abrir os olhos para novas ramificações literárias, uma vez que nem tudo são flores e arco íris num relacionamento real.

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