terça-feira, 29 de novembro de 2016

Review | Chewing Gum


Em Londres, Tracey Gordon (Michaela Coel) é uma jovem religiosa de 20 e poucos anos que idolatra a cantora Beyoncé. Ela passa o tempo com seus amigos, alguns deles já trabalham ou já têm família. Mas a grande verdade é que eles não fazem ideia do que estão fazendo e só querem saber de aproveitar a vida, sem se preocuparem com as responsabilidades da vida adulta.



Já não é segredo para ninguém que a Netflix vem apostando todas as fichas em suas produções originais. Depois do sucesso de Sense8, há um ano, o serviço de streaming aumentou sua grade de títulos próprios, fazendo com que sua notoridade seja ainda maior entre os fãs de séries e filmes.

Demonstrando sua capacidade criativa e de inovação, a Netflix lançou em 31 de outubro a série Chewing Gum – goma de mascar, em inglês -. O enredo da série britânica aborda assuntos já conhecidos do público, como a sexualidade, mas também trata disso com bastante humor e irreverência.

Tracey, vivida por Michaela Coel, é uma jovem cristã de 24 anos que deseja conhecer como é a vida sexual, ou seja, perder a virgindade com seu noivo Ronald (John MacMillan). Ele é um devotado religioso, o qual não aceita qualquer tipo de envolvimento íntimo antes do casamento. Para conquistar e fazê-lo mudar de ideia, Tracey vai em busca de dicas de sedução com sua amiga Candice (Danielle Walters). Esta conta com a ajuda de sua avó, Esther (Maggie Steed), que é liberal e sem nenhum pudor para falar sobre sexo e qualquer tipo de assunto.



Indo contra aos ensinamentos e regras estabelecidas pela sua mãe, Joy (Shola Adewusi) e fugindo da vigilância exagerada de sua irmã Cynthia (Susie Wokoma), duas evangélicas militantes, Tracey tenta conseguir alguma coisa com o noivo, depois de seis anos de relacionamento sem qualquer tipo de contato, nem se quer um beijo. Mas como tudo na vida é difícil, ela passa por diversas situações – que rendem ótimas cenas de humor -, para se descobrir uma mulher interessante e sensual. Neste caminho, ela encontra Connor (Robert Lonsdale), que atrapalha todos os seus planos e dá novo sentido a sua vida.

Chewing Gum é uma série do estilo sitcom – “situação de comédia”, em tradução livre – e faz jus a temática. O enredo passa por situações de romance, cenas picantes e até pouco convencionais, tudo isso com uma veia cômica sensacional. Os personagens secundários são perfeitamente encaixadas na trama, dando a personagem principal o tom certo para lidar com seus medos e dilemas. Outro ponto positivo para a série, é a sua narrativa. Faz com que nós, meros espectadores, façamos parte da história como se fôssemos amigos de Tracey.

A série foi criada pela própria protagonista, Michaela Coel, que além de atriz, também é escritora, compositora, cantora, dramaturga e poetista britânica. Esta série rendeu a Michaela, o BAFTAs (British Academy of Film and Television Arts) de Melhor Atriz em Comédia e Revelação do Ano.


O que é importante destacar desta série são suas características: a representatividade, já que Tracey é uma mulher jovem, negra e pobre, que mesmo com as dificuldades da vida, não desiste descobrir quem realmente é e não tem vergonha disso. E também, o relacionamento inter-racial com Connor, que é outra quebra de tabu para a sociedade. Chewing Gum é uma série semi-autobiográfica, e acerta em cheio tratando-se de empoderar a mulher na vida e no mercado de trabalho, tudo isso em seis episódios de 20 minutos muito bem trabalhados. O ensinamento, mesmo que sutil, é para não perdermos a nossa esperança e errarmos sem medo, pois um dia vamos conseguir acertar. 


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