segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Review | Gilmore Girls: A Year In The Life


Retornando nove anos após a última parada na fantasiosa cidade de Connecticut conhecida como Stars Hollow, "Gilmore Girls: A Year in the Life" apresenta cada uma de suas protagonistas enfrentando momentos difíceis: o relacionamento entre Luke e Lorelai encontra-se numa inércia desanimadora, a carreira jornalística de Rory parece ter terminado antes mesmo de começar e a vida de Emily parece não ter mais sentido após a morte prematura de seu marido, Richard.

Atenção! Contém spoilers!

  
Desculpe o transtorno, mas precisamos falar de Gilmore Girls. Nove anos após a exibição do último episódio Amy Sherman-Palladino recebe uma nova chance para finalizar a série, que teve sua última temporada comandada por David S. Rosenthal, devido a questões contratuais com a The CW. Agora, em parceria com a Netflix, Sherman-Palladino procura apoiar-se na nostalgia de uma legião de fãs e resolver algumas questões.

Com a morte de Edward Herrmann, intérprete de Richard Gilmore, patriarca da família, a criadora optou por abordar o luto vivido por essas três mulheres como ponto de partida. Emily Gilmore (Kelly Bishop) é quem mais se afeta com a perda, afinal, seu casamento com Richard já havia passado da marca dos cinquenta e agora ela precisa descobrir quem é sem a tão conhecida presença a seu lado. A forma como a temática é trabalhada, já no primeiro episódio e ao longo dos demais, é extremamente respeitosa e faz jus tanto ao ator quanto ao personagem - em nenhum momento esquecido -, sendo um dos melhores arcos dessa nova temporada. 

A proposta de A Year In The Life é bem simples: quatro episódios, quatro estações. Todavia, apesar de representarem pontos diferentes de um mesmo ano, a série consegue unir todas as peças do quebra cabeça, fazendo com que o episódio seguinte tenha uma conexão com o anterior, logo, as questões familiares (mal resolvidas ou não) entre as Gilmore estão presentes durante toda a trama.


Lorelai (Lauren Graham) está num relacionamento estável com Luke Dannes (Scott Patterson) há anos, algo que os fãs certamente ficaram felizes em confirmar. Porém a personagem se vê num período particularmente difícil após a morte do pai, uma vez que Michel (Yanic Truesdale) parece estar pronto para seguir o sonho de trabalhar num grande hotel e Sookie (Melissa McCarthy) está numa espécie de período sabático longe da Dragonfly Inn pelos últimos dois anos. Suas inseguranças crescem gradualmente ao longo dos episódios enquanto ela vê que está sendo "deixada de lado" e que sua relação com Luke apresenta falhas que parecem irreparáveis. 

Enquanto isso, Rory (Alexis Bledel) mais uma vez está perdida. Sem casa ou emprego fixo, a protagonista trava uma interminável batalha com suas caixas de mudança, que parecem dançar em meio a lares aleatórios de amigos antigos. Graças a sua incansável peregrinação por variados sofás podemos ver personagens como Paris (Liza Weil), Doyle (Danny Strong) e Lane (Keiko Agena) por mais tempo do que teríamos chance. Na verdade, Liza Weil merece uma menção honrosa quanto a sua atuação, pois a atriz entrega Paris Geller como a conhecíamos e amávamos em 2007: forte, determinada e pronta para dar a volta por cima - ao contrário de Rory. 

Envolvida num relacionamento com novo rapaz, com quem não mantém contato contínuo, Rory se deixa levar por um de seus ex namorados e vive um romance que pode ser considerado no mínimo incomum para a personagem. Para alguns fãs de carteirinha da série, esse envolvimento acaba embaçando a imagem de Rory e tornando seu caráter duvidoso, uma vez que sua versão de vinte e poucos anos nunca se submeteria a algo do tipo.

Dean (Jared Padalecki), Jess (Milo Ventimiglia) e Logan (Matt Czuchry) retornam a Stars Hollow para redimir seus respectivos personagens e mostrar que não são os mesmos jovens rapazes que costumávamos conhecer. Bem, em alguns casos a mudança é para melhor. Como Jess Mariano, que novamente é o responsável por colocar Rory no caminho certo. Assim como na época em que ela havia desistido de Yale, Jess está lá para ajudá-la com doses de maturidade e todas as palavras certas. 

"Você ainda é uma competidora."

Amy Sherman-Palladino soube dar vida a sua série de forma impecável e os episódios em que é creditada como diretora (Winter e Fall) são definitivamente os melhores, pois abordam questões mais maduras de forma sutil, mexendo com o emocional de seus personagens e também dos espectadores. Já Daniel Palladino deixa a desejar quando fica responsável por dois episódios (Spring e Summer), os quais apresentam arcos fracos, roteiro bagunçado e uma inconstância em suas câmeras, tornando o visual por vezes incomodo. 

Algumas semanas antes de A Year In The Life ser disponibilizada na Netflix surgiu um burburinho a respeito das últimas quatro palavras que seriam ditas na série. Diversas teorias fora criadas e alguns círculos acertaram, mas basta uma pesquisa por fóruns online para atestar que a grande maioria dos fãs não ficou contente com a decisão de Sherman-Palladino, que declarou que ess sempre foi sua ideia inicial. Terminar Gilmore Girls com um cliffhanger que não receberá continuidade pode ser considerado controverso, especialmente após nove anos de espera. A série manteve toda a magia que teve durante os anos em que foi exibida na TV americana, com sua cidadezinha de interior que parece saída de um conto de fadas e personagens caricatos e carismáticos, mas seu final é um banho de realidade que ninguém estava esperando.

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