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Guia do Consumidor | Livros

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Dado ao sucesso da outra edição do Guia, a qual a linha editorial desse blog gostou, resolvi repetir a dose, dessa vez com livros. O esquema será assim: falarei de livros de forma sucinta e os avaliarei com notas. Além disso, falarei onde comprei, já comprei muita coisa em preços absurdos e com isso tenho livros maravilhosos. Acho que nesse caso tornará o guia mais completo.

Crise de inspiração. Desventuras com o aniversário. Problemas pessoais. Saúde capengando. O avião da Chapecoense caiu e eu fiquei deprimido de uma forma que só Eduardo Galeano consegue explicar de forma eloquente. Tudo isso aconteceu e por isso estive longe de atividades enquanto escriba desse magnífico portal. Mas consegui achar um bom tema principal pra deixar o guia bem redondo. E lá vamos nós.

OBRAS LITERÁRIAS ENQUANTO CARTAS DE AMOR

Eu tenho uma predileção a obras de arte em geral quando são dedicadas ou expressamente cartas ou declarações de amor a determinadas coisas. Na música temos inúmeros exemplos, Malcolm McLaren fez um álbum duplo para Paris, algo simbólico e no limite entre o kitsch e o cafona, até por isso tão bom, aproveitando de ícones da Cidade Luz, sejam pessoas, lugares ou o estado de espírito. Elton John meio que vem fazendo algo assim desde 2001, o maior exemplo sendo em 2010, quando ele resgatou a carreira de uma pessoa que o inspirou, o recentemente falecido Leon Russel para fazer The Union.

Mas estamos falando de livros hoje e as declarações de amor que tenho são para a Itália. Ahhh Itália, como diria em eterno estupor Fernando Vannucci, a terra do amore, tão cantado pelo italianíssimo (de Ohio) Dean Martin. Aqui temos duas demonstrações disso, uma de um americano descobrindo a Itália em um lugar não tão comum para o turismo e a outra se passando mostrando um país contemporâneo e apaixonante.

Jogando por Pizza é provavelmente o livro mais feliz que John Grisham já fez na vida. Grisham é o que sempre fez livros de tribunais, julgamentos e intrigas, alguns viraram filmes ao longo da década de 90 e ele ainda é um best seller. O livro se passa basicamente na cidade de Parma, onde um jogador de futebol americano tenta se adaptar e reconstruir a vida após um fracasso que moralmente o baniu do país. Te faz crescer o fascínio pela arte, pela cultura local, te faz querer conhecer a cidade, que não é tão grande ou tão visada e as descrições das comidas são as coisas mais bonitas que se verá, o mais autêntico food porn. E você acaba aprendendo e se interessando por futebol americano, um pilar do livro, mas devidamente explicado pra que leigos se interessem. Simpático e despretensioso. E extremamente barato, caso achem. Costumava ficar sempre em promoção na Submarino e hoje em dia é fácil de se encontrar naquelas feirinhas que existem em shoppings e rodoviárias. Altamente recomendável. B+

Desculpa Se Te Chamo de Amor é uma história de amor feita na Itália por um italiano (Federico Moccia) que tem como grande trunfo dar uma roupagem contemporânea à vida. Moderna é uma palavra muito vaga para descrever. As referências, os personagens cativantes, o ritmo, é como se o grandioso e falecido John Hughes tivesse se atualizado após os anos 80 e continuasse a escrever clássicos, mas agora em livros. A cultura italiana antiga e moderna são abordadas de forma maestral e no caso desse livro o ideal é se maravilhar com cada momento novo. É uma lufada de ar fresco ter uma protagonista tão agradável e interessante pra variar, num mundo onde há tantos personagens insuportáveis com destaque como Bella Swan, Q e Leonard Peacock. É um livro que as vezes não é tão caro de se achar, mas o custo benefício é péssimo se você tem o costume de emprestar livros, pois as pessoas não devolvem, já perdi dois desse assim. A+

UM JOGO CADA VEZ MAIS SUJO - ANDREW JENNINGS

Jennings é o jornalista que vivia aqui antes da Copa denunciando todos os corruptos da FIFA e do COI, geralmente na ESPN. Meio que colaborou com o auge político do Romário. O jeito de denunciar é fantástico, te prende num estilo investigativo que lembra os livros de Michael Moore, sendo esse mais divertido. Entendeu perfeitamente a brasilidade, em especial no capítulo onde explica Castor de Andrade e suas ligações com a corrupção esportiva. Momento fascinante: Antônio Carlos Magalhães peitando o presidente da FIFA durante uma CPI, tal qual Bertoldo Brecha. Perto do fim tem o que chamamos hoje de uma fanfic de esquerda, não compromete muito. B+

Esse livro finalmente teve queda no preço, uma vez que os eventos aonde todo mundo roubou já ocorreram. Comprei por 10 reais na rodoviária de São Paulo no começo do mês, deve estar barato numa Black Friday.

ATÉ MAIS E OBRIGADO PELOS PEIXES - DOUGLAS ADAMS

A série é ótima, tem momentos geniais que eu tenho inveja de não ter pensado. Mas as vezes o que você quer é um livro onde o protagonista se estabilize, fique feliz e encontre um amor. E ainda assim ter o caos e o humor habitual da série. E o que temos aqui, onde ciclos são encerrados, o narrador é provavelmente a melhor coisa do livro, principalmente quando manda a realidade dos fatos, principalmente quando ensina que Dire Straits tem a melhor música pra sexo. Mark Knopfler deve ter se orgulhado por sua música ser mencionada da forma que foi. Uma pena que o quinto livro tenha acontecido e arruinado isso. A leitura é a mais fácil e agradável da série, o que nao o torna menos inteligente. A

A coisa mais fácil que se tem é comprar esses livros num bom preço, a Submarino vende o pacote dos 5 por 20 reais, no máximo 30, além de estar vendendo a versão com os cinco da série em um grande livro por 30 reais, enquanto a Saraiva ainda vende por uns 60 ou 70.

OS GOONIES - JAMES KAHN

Nunca havia visto o filme e vi o livro numa promoção do Submarino, normalmente está por 30 e o comprei por 10. Então em uma semana li e logo após vi o filme. O livro é melhor e mais detalhado, bem divertido, uma aventura pura e simples, como tentam emular até hoje em livros questionáveis que viram filmes que eventualmente terminam sem as atrizes famosas porque elas viram a furada em que se meteram. Do que eu falava? Ah, sim, ótimo livro, despretensioso, se ler antes de ver o filme, pode te fazer imaginar as coisas um pouco diferentes, o que é bom. E alguns detratores dirão que é melhor por não ter Cyndi Lauper cantando, mas esse colunista gosta dela. A

TOTALMENTE INOFENSIVA - DOUGLAS ADAMS

Consigo entender porque consideram esse livro engraçado, mas ele é como o retorno de uma banda que todos gostavam após anos, mas sem um dos membros preferidos e alguém horrível no lugar que estraga tudo no que se envolve. Eu reclamo muito de como protagonistas de livros hoje em dia são insuportáveis, mas Random Dent é a personificação das piores coisas em um ser humano. Na verdade, quase todos ali são pessoas horríveis. Um livro pra dar desgosto. É bem escrito, ainda que demande atenção e as vezes canse com as mudanças dimensionais. Caso resista, sua recompensa por tudo está mais bonito capítulo já escrito, uma carta de amor para um rei, o capítulo 22. O único motivo pelo qual a nota não será tão baixa como merece, juntamente com o final do livro que fecha um ciclo de uma que se não é compensadora, te bota um sorriso estranho na cara e te faz proferir um “heh”. C+



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