quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Resenha | Eu, Robô - Isaac Asimov

Sensíveis, divertidos e instigantes, os contos de Eu, robô são um marco na história da ficção científica, seja pela introdução das célebres Leis da Robótica, pelos personagens inesquecíveis ou por seu olhar completamente novo a respeito das máquinas. Vivam eles na Terra ou no espaço sideral; sejam domésticos ou especializados, submissos ou rebeldes, meramente mecânicos ou humanizados, os robôs de Asimov conquistaram a cabeça e a alma de gerações de escritores, cineastas e cientistas, sendo até hoje fonte de inspiração de tudo o que lemos e assistimos sobre essas criaturas mecânicas.

Verdadeiro marco na história da ficção científica, Eu, robô reúne os primeiros textos de Isaac Asimov sobre robôs, publicados entre 1940 e 1950. São nove contos que relatam a evolução dos autômatos através do tempo, e que contêm em suas páginas, pela primeira vez, as célebres Três Leis da Robótica: os princípios que regem o comportamento dos robôs e que mudaram definitivamente a percepção que se tem sobre eles na literatura e na própria ciência.

Depois de ler “Fundação”, as portas do universo de Isaac Azimov se escancararam pra mim e logo embarquei em “Eu, Robô”. Quem conhece o autor sabe que, assim como Tolkien e J.K. Rowling, ele criou seu próprio universo. Cheio de tramas, problemas e resoluções dos mesmos de forma genial.

O livro é estruturado em contos que acontecem de forma cronológica. Cada pequena história contribui para o enredo que aborda o surgimento dos robôs, desde os mais simples e sucateados até os mais sofisticados e avançados. O filme de mesmo nome é baseado num dos contos da obra e é relativamente fiel, exceto por – como em toda adaptação – não mostrar todos os detalhes e situações que desencadearam o clímax da história.

O diferencial do livro é justamente esse ponto: o fato de que consegue seguir um trajeto cronológico com informações importantíssimas para o clímax, mesmo contado em pequenas histórias. “Eu, robô” é uma ficção com um quê comédia. Não pelos fatos desenrolados – que a propósito vão ficando tensos – mas pelos personagens. Eles não são totalmente desenvolvidos, mas suas características são apresentadas de forma clara, o que contribui para o desenrolar dos fatos, mas não de forma significativa.

Assim como em “Fundação”, o ponto mais interessante do livro é que os dilemas enfrentados não são os clichês da ficção. São problemas que só existem devido a criação do universo próprio de Azimov; problemas que o autor criou para os quais ele mesmo achou soluções geniais. É claro, todos esses problemas e pequenas soluções encaminham para uma situação grave e até mesmo esperada, quando se chega em um certo ponto do livro.

Devido ao fato de ser formulado em contos a leitura é bem rápida e fluida. Particularmente achei que “Eu, robô” se utiliza de uma linguagem um pouco mais distante da coloquial, como também ocorre em “Fundação”, porém não é nada muito monstruoso, e independente dos termos técnicos – que são poucos – a leitura é bastante compreensível e o que ganha destaque são mesmo os dilemas que surgem no caminho.


Acho que o livro merece tal classificação por ser completamente original e abrir as portas para esse mundo – que talvez não esteja tão distante – robotizado. Também pela genialidade de criar “As Três Leis da Robótica” e desenvolver várias situações baseadas nelas. Algo que não me agradou foi a colocação de alguns contos que embora necessários resultam numa leitura cansativa. Alguns são bem criativos e outros parecem se arrastar. Ainda assim é uma leitura que vale muito a pena insistir, e é fácil, porque o próximo conto está logo ali a algumas páginas adiante!


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