segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Resenha | O Menino Que Desenhava Monstros - Keith Donohue

Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto. Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar.
Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais.
Na superfície, O Menino que Desenhava Monstros é uma história sobre pais fazendo o melhor para criar um filho com certo grau de autismo, mas é também uma história sobre fantasmas, monstros, mistérios e um passado ainda mais assustador. O romance de Keith Donohue é um thriller psicológico que mistura fantasia e realidade para surpreender o leitor do início ao fim ao evocar o clima das histórias de terror japonesas.


Como já se sabe, Jack Peter - ou Jip/JP como é chamado carinhosamente pelos pais - é um menino com síndrome de Aspenger, um tipo de autismo, e Agorafobia, medo de ambientes abertos, que aparenta não saber discernir a realidade de seus sonhos e desenhos. Até ai temos uma característica comum em muitas crianças, às vezes a imaginação é grande de mais para ser separada da realidade. Entretanto, mais e mais seus desenhos e fantasias parecem entrar na vida de seus pais e de seu - único - melhor amigo, Nick.

Quem me conhece sabe que eu evito trazer coisas de terror pra minha vida - seja em livros, filmes ou séries - porque eu sou extremamente medrosa, então começar essa leitura foi um desafio muito grande. Por sorte, o livro só começa a ficar um pouco mais gráficos com os monstros pro final e ai eu já tinha pego o embalo do jogo e me acostumado. O livro mistura um pouco os gêneros de terror e suspense e em alguns momentos parece um pouco fantasia - afinal, é difícil falar de monstros sem ter um tom mais fantasioso. Na verdade, não encontrei todo o terror que achava que iria ter nessa história - o que em momento algum significa que a obra seja ruim.

Um par de olhos o observava por sobre os ombros de Jack Peter. Olhos tortos, desiguais, o esquerdo maior que o direto, as pupilas escoras como buracos, ameaçadoramente fixas nele.

Esse também foi o primeiro livro do Keith Donohue que li e posso afirmar que ele entrou pra minha lista de autores desejados e quero ler seus outros trabalhos. Ele conseguiu manter uma narrativa fresca e interessante alternando entre o ponto de vista dos meninos e dos pais, o que já vi autores renomados não conseguirem fazer. Ele foi capaz de inserir pequenos mistérios dentro da história que não possuíam ligações diretas com o mistério final, porém ao mesmo tempo os tornando parte do grande quebra-cabeças.Seus personagens, nem um pouco densos, muitas vezes me lembraram do porque da literatura ser uma paixão tão grande na minha vida. Cada personagem é sua própria pessoa e são reflexos do que existe no mundo real - algumas gostaríamos de ter em nossas vidas, outras nem tanto -, mas em um livro somos obrigados a olhar os dois lados e todos sabemos que isso nem sempre acontece na vida.

Por fim, só pra não perder o costume, quero falar sobre a arte da Editora Darkside. Cada livro que leio deles me apaixono mais. É possível ver o carinho e o tempo envolvido em cada uma das publicações e isso torna a experiência da leitura 1000 vezes melhor.


Minha nota é um claro cinco e eu nem sei mais quais explicações dar. O final do livro me chocou, mas ao mesmo tempo foi exatamente o que eu esperava e foi perfeito. Com certeza, se o projeto existente para o filme for pra frente eu colocarei meu medo de lado e irei prestigiar essa obra nas telonas.


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