quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Música | Pérolas de Wilson Simonal


Simonal. Conforme vem sido eternizado ao longo de quase 10 anos, no maior caso de reparação póstuma das memórias de alguém já visto, ele foi o maior showman que o Brasil já teve, alguns chegaram perto ao longo dos anos, mas nada no que se viu naquele tempo. Eu não vou me prolongar aqui sobre a forma que ele chegou ao ostracismo, as tentativas de retorno ou falar sobre o grandioso Ninguém Sabe o Duro Que Dei, que iniciou o seu retorno ao mainstream, hoje coroado com vários CDs (coletâneas) e DVDs com artistas de hoje cantando seus sucessos.

Eu venho aqui hoje levantar alguns registros porque até músicas da época do auge não foram devidamente apreciadas.

Acquarius The Flesh Failures (Let The Sunshine In) - México ‘70


1970, o auge total. Simonal vai ao México juntamente com a Seleção Brasileira que eventualmente seria tricampeã do mundo. A essa altura já rivaliza na venda de discos com Roberto Carlos, é um exemplo de bom humor, mostra toda sua versatilidade nos shows com a “pilantragem” e regendo o Maracanazinho lotado. Seu repertório é no mínimo curioso, pois além de gravar sucessos do momento, ele faz músicas simples virarem um espetáculo. Aqui, temos sua versão em espanhol(na primeira parte) na música emblemática de Hair. O grande destaque é na parte de Let The Sunshine In, onde ele faz seu falsete “imitando uma negona americana”, tal qual nos extras do DVD do documentário acima citado.

Faz Parte do Meu Show - Ao vivo em Natal (RN), final dos anos 80


Eu não tenho como afirmar que isso foi exatamente em 1988, quando a música foi lançada com sucesso. No período de ostracismo, o porto seguro de Wilson Simonal foi em Natal, onde o empresário João Santana lutou muito por ele e sua carreira, sempre tentando marcar shows e os registrando, além de defende-lo publicamente. O arranjo e a letra encaixam melhor com ele do que com o Cazuza, na minha opinião. Até porque a voz ainda está no ponto, mesmo com ele já batendo os 50 anos. Vale ser ouvida, até por me fazer descobrir que Nelson Gonçalves também a gravou antes de morrer.

Diálogo com o Público - Festival RTP, Lisboa, 1979


O melhor registro disponível ao vivo dos tempos de ostracismo em vídeo, entretanto, é do festival da canção realizado pela RTP, onde é preciso tirar leite de pedra pra poder conseguir alguma animação da plateia portuguesa. Os vídeos recomendados com o restante da apresentação são tão bons quanto esse.

Está Chegando a Hora (Cielito Lindo) - Brasil, 1995


A grande colaboração do Spotify na minha vida foi ter me dado acesso a essa música. Ela seria usada em duas situações no final de 2016, mas circunstâncias me impediram. Eu a tocaria em um sarau no final de novembro, mas ela não foi ensaiada o suficiente. A segunda seria um no meu texto de fim de ano daqui usando essa música e Memory Train para fazer um resumo dos meus sentimentos sobre esse amontoado terrível de meses que chamávamos de ano até outro dia. Pois bem, o arranjo é inesperado, violinos dão uma classe pra música que normalmente só conhecemos o refrão “ai, ai, ai ai… está chegando a hora…”. A voz está perfeita, uma pena o álbum não ter sido o comeback tão almejado, pois era perfeitamente merecedor. “Saudade não tem tradução se você não sentiu” é algo que gruda na sua cabeça de forma reflexiva.

Um dia eu retomarei esse tema para resenhar uma de suas biografias, a qual espero que fique em promoção no stand da Globo Livros na Bienal. Aguardem novidades, pois esse ano há um projeto grande esse ano resenhando livros.


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