sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Review | Quando te Conheci


No futuro, existe uma nova raça de seres humanos: os Equals, indivíduos pacíficos, justos e que não possuem mais emoções. Até que uma doença passa a ameaçar todos, excluindo alguns membros do resto da sociedade.

O mundo mudou, isso é um fato. A cidade mudou, o modo de viver mudou e assim como eles, as pessoas também mudaram. E ainda mudam. Uma das coisas que o ser humano tem como principal característica de mudança são os sentimentos. Se formos reparar, nós temos milhares de sentimentos diferentes em um só dia. Em uma segunda-feira de manhã, é quase certo de acordarmos com o humor abalado – isso pra não dizer de mau humor -. Na sexta-feira, nos sentimos libertos por ter passado mais uma semana e poder enfim, aproveitar os dois dias de folga. Calma, isto não é um texto sobre autoajuda ou momento superação. Este meu pequeno momento divã tem uma explicação.

Em Quando Te Conheci, os sentimentos são a principal fonte de exploração do filme. Ambientado em um mundo futurístico, a sociedade que conhecemos não existe mais. Uma nova raça de seres humanos é criada, denominada Equals (equivalentes), pessoas que são impassíveis e não possuem emoções. Silas, interpretado por Nicholas Hoult, é ilustrador e trabalha em uma empresa chamada Atmos. Lá, eles produzem algum tipo de filme ou algo que passará conhecimento, isso não fica claro. Em determinado momento, ele percebe algo estranho em si mesmo. Depois de ter um pesadelo e se machucar, ele procura o médico, que lhe informa sobre a sua saúde. Ele possui a doença que aterroriza as pessoas da “cidade”, que traz à tona os sentimentos e isso afeta o funcionamento perfeito da sociedade. A partir daí, o desenvolvimento do filme começa.

Após um acontecimento, ele começa a reparar nas pessoas, mas principalmente em Nia (Kristen Stewart), sua colega de trabalho, e percebe que ela não é insensível como os outros. Com o passar do tempo, a inquetude e curiosidade da parte de Silas, se transforma em algo a mais. Nia se incomoda com essa aproximação dele e decide, digamos, tirar satisfação. É óbvio que vocês notaram o caminho que isso leva. Desta “antipatia” surge uma paixão. Algo inusitado, proibido e totalmente novo para os dois. Antes que se perguntem como ela se apaixona por ele, eis a resposta. Ela também tem a doença e está em um estágio avançado, porém consegue fingir perfeitamente que não a possui.


Com o relacionamento se tornando algo mais sério, fica praticamente impossível não serem notados. Eles decidem fugir da cidade, e contam com a ajuda de um grupo de autoajuda que Jonas (Guy Pearce), amigo de Silas, frequenta. Eles conseguem montar um plano para isso acontecer, entretanto, nada na vida é tudo mil maravilhas.

Como a doença está se agravando e os remédios inibidores não funcionam completamente, os médicos da cidade descobrem uma cura que consegue inibir de volta os sentimentos. Depois disso, fica quase inviável de Silas e Nia escaparem. O que posso dizer, para não contar a história toda do filme, é que este filme não segue o estilo de romance tradicional: não há final feliz e nem sombrio, apenas há o final esperado com o decorrer da história.

O filme é basicamente uma tentativa de Jogos Vorazes mas sem qualquer tipo de cena com lutas e os jogos. O interessante dele é ter mesclado ficção científica, drama e romance e não ter deixado nenhum dos elementos de lado. Por incrível que pareça, a atuação de Kristen Stewart é ótima, mostrando o real significado da personagem. Nicholas Hoult está confortável no papel e sua interpretação é simples e excelente. A direção é de Drake Doremus, do filme Loucamente Apaixonados. A fotografia e a produção são maravilhosas, em total harmonia com o que quiseram passar com o roteiro. O filme está disponível na Netflix, então aproveitem.

Quando Te Conheci nos apresenta um conceito diferente e uma mensagem importante, para nós que vivemos neste mundo do agora. Um daqueles filmes que você rejeita no início mas não se arrepende de ter visto no final.

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