domingo, 5 de março de 2017

Resenha | Fogo contra Fogo - Jenny Han & Siobhan Vivian

A festa de Ano-Novo terminou com uma tragédia irreparável, e Mary, Kat e Lillia podem não estar preparadas para o que está por vir. Após a morte de Rennie, Kat e Lillia tentam entender os acontecimentos fatais daquela noite. Ambas se culpam pela tragédia. Se Lillia não tivesse se apaixonado por Reevie. Se Kat não tivesse deixado Rennie ter partido sozinha. Se a vingança não tivesse ido longe demais, talvez as coisas seriam como antes. Agora, elas nunca mais serão as mesmas. Apenas Mary sabe a verdade sobre aquela noite. Sobre o que ela realmente é. Também descobriu a verdade sobre Lillia e Reeve terem se apaixonado, sobre Reeve ser feliz quando tudo o que ele merece é o sofrimento, assim como ela ainda sofre. Para Mary, as tentativas infantis de vingança ficaram no passado, ela está fora de controle e pretende sujar suas mãos de sangue, afinal, não tem mais nada a perder.

Algumas vezes no universo literário nos apegamos a personagens de forma a senti-los próximos, quase como se pertencessem a nosso círculo de amigos mais próximos. Para mim, foi isso o que aconteceu com os personagens criados por Jenny Han e Siobhan Vivian em sua trilogia que, após a publicação do segundo volume quatro anos atrás, ficou esquecida no país. Imaginem minha surpresa, felicidade e ansiedade por finalmente ser capaz de chegar a um desfecho. Imaginem também minha aflição por ser algo completamente diferente do que havia imaginado. 

Após a morte de Rennie Holtz, causada essencialmente por Mary Zane e sua fúria, agora que sua condição de fantasma foi revelada, os personagens encontram-se num momento delicado. Apesar de ser mesquinha em alguns momentos, Rennie era jovem e vibrante, e estava longe de merecer um final como esse, o que causa um luto geral nos primeiros capítulos de Fogo contra Fogo

A situação é particularmente difícil para Lillia Cho e Reeve Tabatsky, uma vez o relacionamento dos dois é revelado horas antes da morte de Rennie, levando Lillia a acreditar que foi responsável, mesmo que indiretamente, pelo destino trágico de Rennie. E o que antes era uma situação ruim - estar apaixonada pelo amor de infância da melhor amiga - acaba tornando-se mil vezes pior. 

Nunca serei capaz de separar Reeve da morte da Rennie, nem de Mary, nem de todo o resto. Não houve um momento no nosso relacionamento que não tenha sido carregado de segredos e mentiras e sofrimento.

Ao decorrer das páginas vemos que, mesmo após a separação, o romance entre Lillia e Reeve permanece sendo o assunto principal a ser abordado por Jenny Han e Siobhan Vivian. Infelizmente, isso faz com que Kat DeBrassio, uma personagem com imenso potencial, seja deixado de lado e perca seu posto de protagonista. Claro, existem cenas onde Kat se destaca, especialmente no que diz respeito a sua nova amizade com Alex Lind, porém nada que seja importante para o desenvolvimento da personagem.

Em contrapartida, Mary ganha maior destaque. Mas sua súbita mudança de personalidade não convence o leitor. Em um segundo vemos a doce e confusa Mary, que não sabe como lidar com sua situação, e em outro somos apresentados a sua versão maligna sedenta por poder e clamando por vingança. Apesar de entender a visão das autoras, é preciso admitir que a mesma foi muito mal executada, o que levou os capítulos de Mary a serem maçantes e repetitivos. 


Assim que fechei o livro, depois de 350 páginas, me perguntei onde estava o final, porque definitivamente não poderia acabar daquela forma. As autoras, talvez com pressa em amarrar todas as pontas soltas, fizeram uma espécie de final televisivo onde Lillia narra o que aconteceu com cada um de seus amigos. Apenas alguns parágrafos e ponto; parecia um primeiro rascunho que algum editor preguiçoso pensou que era uma ótima ideia publicar. 

Han e Vivian criaram personagens carismáticos e fizeram com que evoluíssem tanto ao longo de três livros... Para no final transformá-los de volta ao que eram antes, em Olho por Olho, sem nenhuma explicação. Saber que ambas as autoras são capazes de criar finais muito mais emocionantes, honestos e empolgantes é realmente triste, pois personagens e leitores mereciam algo melhor.


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