sábado, 18 de março de 2017

Review | A Bela e a Fera (2017)


Moradora de uma pequena aldeia francesa, Bela (Emma Watson) tem o pai capturado pela Fera (Dan Stevens) e decide entregar sua vida ao estranho ser em troca da liberdade dele. No castelo, ela conhece objetos mágicos e descobre que a Fera é, na verdade, um príncipe que precisa de amor para voltar à forma humana.

Estamos, inegavelmente, na era dos live-actions e reboots, onde, cada vez mais filmes são lançados com a promessa de uma "releitura" de clássicos cinematográficos. Talvez o motivo por trás dessas produções seja a rentabilidade garantida, uma vez que, mesmo apresentado qualidade questionável, as mesmas ganham visibilidade imediata e atraem o grande público. Sendo uma das mais poderosas produtoras de filmes a Walt Disney Picture vem investindo em novas versões de suas animações de grande porte, como foi o caso de "Cinderela", "Alice no País das Maravilhas", "Malévola", "Mogli: O Menino Lobo" e, mais recentemente, "A Bela e a Fera". 

Como era de se esperar, a versão de 2017 de "A Bela e a Fera", dirigida por Bill Condon (Amanhecer Parte I e II), inicia-se trazendo a luz ao que era a tão temida Fera (Dan Stevens) em seus dias de glória. Adam, um jovem príncipe arrogante e prepotente, oferece um baile em seu castelo quando uma viajante lhe suplica abrigo, o qual ele nega e acaba sendo amaldiçoado por sua falta de compaixão, podendo somente quebrar o feitiço quando, enfim, souber amar. 

Passamos então para a cena de abertura, que faz jus a animação lançada pela Disney em 1991, a primeira a concorrer ao Oscar na categoria "Melhor Filme", onde Bela (Emma Watson) apresenta sua rotina na pequena vila ao espectador enquanto "Belle", música que reflete a animação original, é cantada pela protagonista e pelos demais habitantes de Villeneuve. Aqui conhecemos Gaston (Luke Evans), o galanteador ex-soldado que tenta a todo custo conquistar o coração e a mão de Bela, apesar de suas investidas mal sucedidas. 

Graças ao roteiro pouco inventivo de Stephen Chbosky (As Vantagens de Ser Invisível), que procura se manter fiel ao original, sem alterações prejudiciais a trama e que somente acrescenta novas informações ao expectador, o filme segue a cronologia previamente estabelecida, onde Maurice (Kevin Kline) perde-se na floresta, é capturado pela Fera para logo depois ter seu lugar de prisioneiro tomado por Bela em um ato de coragem que muito se assemelha a primeira versão.



Ao contrário de "Alice no País das Maravilhas", "A Bela e a Fera" conquista quase que imediatamente, por seu visual limpo e sofisticado através de uma fotografia que procura harmonizar todo o conteúdo presente na tela grande. Assim como seus personagens secundários, que chamam a atenção do espectador com sua sinceridade e carisma. Ironicamente, a humanidade presente nos funcionários do castelo, ainda que em forma de objeto, é um dos pontos fortes do filme, por transmitir tamanha emoção. 

Com um vestido à primeira vista modesto quando comparado ao modelo de baile visto na animação, a Bela de Emma Watson dá vida a uma das cenas mais marcantes do clássico - a dança entre os protagonistas - e aquece os corações nostálgicos em 3D... Apenas para, momentos depois, correr de volta a Villeneuve para salvar o Maurice, que encontra-se em perigo, assim mostrando o quanto Bela está pronta para defender a si mesma e aqueles que ama. 

Bela sempre esteve à frente de seu tempo, mesmo nos anos noventa, provando ser forte, corajosa e independente, fato que se repete no longa desse ano. Felizmente, "A Bela e a Fera" de Condon também é um filme que marca a abordagem explícita, porém sutil, do primeiro personagem LGBT em um filme da Disney. LeFou (Josh Gad) e sua paixão platônica por Gaston são tratados de forma maravilhosa e respeitosa, provando que a diversidade pode e deve estar presente nas produções atuais. Em suma, um filme capaz de emocionar, integrar, cativar e, indiscutivelmente, aplaudir.


Nota: Dificilmente estabelecemos um ranking quanto aos filmes, mas preciso dizer que, caso essa fosse uma prática comum, minha classificação seria a mais alta possível. "A Bela e a Fera" me conquistou de tal forma que em diversas cenas pude sentir meus olhos lacrimejando, talvez pela nostalgia em saber que vi essa história pela primeira vez antes de completar cinco anos. Realmente acredito que esse filme seja capaz de aproximar as novas gerações aos clássicos da Disney, porque prova que quando a história é boa, tudo o que é preciso é saibam como contá-la e, nesse caso, ela é contada de forma absurdamente deslumbrante.




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