sábado, 15 de abril de 2017

Review | 13 Reasons Why


Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katherine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah fora acabou de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida - além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.

Há nada menos que dez anos, Jay Asher lançava o livro 13 Reasons Why onde, através da experiência do protagonista Clay Jensen ao ouvir as treze fitas gravadas por Hannah Baker, nas quais a garota relata os motivos que a levaram a cometer suicídio, apresentava a comunidade literária um debate acerca de tópicos muitas vezes considerados tabus. Há duas semanas, a obra de Jay Asher, agora adaptada por Brian Yorkey, foi lançada na Netflix

Hey. It's Hannah. Hannah Baker.

Conhecido por suas séries originais de alta qualidade, o serviço de streaming mais rentável da atualidade arriscou-se e entregou ao seu público (31/03) treze episódios de uma série na qual o suicídio de uma adolescente é abordado através de uma nova perspectiva - a da própria adolescente. 


Por mais que Clay Jensen (Dylan Minnette) seja uma figura ativa durante toda a trama, é Hannah Baker (Katherine Langford) que conduz o público através dos acontecimentos que causaram profundas cicatrizes em sua pele, sejam elas reais ou figurativas. Numa realidade onde bullying por vezes é considerado banal, vemos Hannah atravessar corredores sendo chamada de "vadia" e outros adjetivos piores por jovens que não a conheciam e não faziam esforço algum para ver a garota inteligente, sarcástica e engraçada por trás da foto pessoal tirada por Justin Foley (Brandon Flynn), no qual havia depositado sua confiança.

Apesar de ser um fator que motiva diversas agressões verbais ou físicas, o bullying não é o único tópico abordado; violência doméstica, homofobia, abuso sexual e, é claro, suicídio também são vistos ao longo dos episódios, que durante suas respectivas filmagens contaram com a presença de "cães terapeutas" para os atores devido a intensidade das cenas. Ou seja, não é, de forma alguma, uma série fácil de ser assistida, especialmente para alguém que tenha passado por alguma situação semelhante.

Ao contrário da obra na qual foi baseada, 13 Reasons Why procura expor a vivência de cada um dos "porquês" de Hannah para que o expectador veja que existem dois lados de uma mesma moeda. Mesmo que essa visão do cotidiano dos jovens não justifique suas ações (o que não deve ser feito!), ela serve para mostrar que nunca sabemos, de fato, o que acontece na vida das pessoas, especialmente quando adolescentes.


É possível encontrar diversas críticas negativas quanto algumas escolhas feitas pelos profissionais envolvidos no projeto, especificamente voltadas ao conteúdo explícito da série, o que inclusive é pontuado antes dos últimos episódios começarem, através de uma mensagem da Netflix. A questão é: estupro ou suicídio ou qualquer um dos assuntos listados acima não devem ser romantizados em hipótese alguma, o que resulta em cenas perturbadoras e extremamente realistas, diferentemente de produções hollywoodianas anteriores. É difícil assistir e essa é a intenção. 

13 Reasons Why não é mais uma série adolescente que se passa em um colégio americano repleto de patricinhas e dramas nos corredores. Não, é uma série que vai além e grita na cara do expectador que aqueles assuntos estão sendo deixados de lado e que cada vez mais pessoas estão sofrendo com a falta de um diálogo que deveria estar presente na escola e no ambiente familiar. É uma série para mostrar que é preciso tomar uma atitude, pois o silêncio pode ferir dez vezes mais.




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