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RENATO, ME AJUDE A TE AJUDAR

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Conforme sabemos, o bom canal Viva tem diversas formas de resgatar a memória da TV Globo. Seja reprisando novelas boas e/ou antigas demais pro Vale a Pena Ver de Novo de forma integral, seja resgatando artistas daquelas novelas para reavaliar suas atuações ou até mesmo fazerem um apanhado de suas carreiras. E há os remakes, primeiro aquele de quatro episódios de Sai de Baixo, que foi excelente para fechar o ciclo de viúvas do programa. Depois teve o da Escolinha do Professor Raimundo, que apesar de opções questionáveis, honra o legado de Chico Anysio. Então na Comic Con do ano passado, Renato Aragão e Dedé Santana anunciaram o retorno dos Trapalhões.

Na mesma Comic Con, Renato já começa os testes de elenco.


Eu já defendi Aragão esse ano na época que o ótimo Saltimbancos Trapalhões entrou em cartaz. Eu sempre vou rir com Turma do Didi(em especial com as armações no fim do programa) e sempre defenderei os Trapalhões, mesmo que falem que é racista ou algo do tipo, qualquer idiota pode acusar algo de qualquer coisa, mas não consegue produzir algo que chegue perto. Tanto Aragão como Santana são workaholics, são daquela clássica linhagem de artistas que ficam doentes ou até morrem se param de trabalhar, tal qual o pessoal da Escolinha. Um fará filmes até não puder mais, enquanto o outro, quando não está pedindo oportunidade pra trabalhar(uma vez que o contrato vitalício com a Globo ele tem), está colaborando com biógrafos para que a história do grupo seja eternizada.

Sabendo de tudo isso, os anúncios do remake me deixaram com um pé atrás, até pelas notícias serem desencontradas, uma hora tinha gente confirmada, depois não mais. Uma hora Renato seria Didi, em outra hora ele foi trocado e estava reclamando. Ainda assim, nada nos preparou para a foto de divulgação que saiu essa semana. O pesadelo de todos os fãs se tornou realidade. Vocês veem, o programa original sempre foi uma representação de pessoas reais, que você via na rua e podia identificar fazendo caricaturas de situações reais. O próprio Renato já resumiu nos extras do DVD que é representativo do Brasil: um nordestino, um negro sambista do morro, um galã de subúrbio e um mineirinho. O problema é que os personagens de hoje, do jeito que se vê, são caricaturas de si mesmos. Didi e Dedé seguem, os quatro novatos da foto são Didico, Dedeco, Mumu e Zaca.

“Ah, mas você sempre critica tudo, como eu vou saber se você não está sendo rabugento de novo?”, você deve estar se perguntando e certamente Fernanda me perguntou isso. Saiu também essa semana a primeira propaganda em vídeo no Viva. Cliquem e sintam como é ter um pedaço de sua alma se esvaindo em tempo real. Zaca é feito pelo competente Gui Santana, pode ser o ponto alto. O celebrado Lucas Veloso, filho do saudoso Shaolin, que fará Didico, só pelo vídeo se nota que pesou demais na caricatura e o alerta vermelho apita. Ainda não sei o que pensar de Mumuzinho como Mumu e Bruno Gissoni não está ali pra ser engraçado, não deverá comprometer.

O detalhe é que o mundo de hoje não tem a capacidade de processar Os Trapalhões se fosse feito como antigamente. O fato de Aragão estar envolvido no roteiro nos protege do proverbial recurso moderno de falar besteira com as palavras certas pra atrair público, algo que vocês jovens chamam hoje em dia de “crítica social foda”. O máximo que teremos nesse aspecto é o clássico rico x pobre, pois Renato sempre foi viciado em Chaplin. E também não terá a liberdade imaginativa fantástica que consagrou a série no passado. Vocês conseguem imaginar Didico desafiando, sacaneando Hitler e vencendo só no talento? Nem eu. Até dá pra imaginar uma piada interna ou outra, aquela desmistificação de “Por que está fazendo força pra levantar a pedra? É isopor.”, mas as expectativas estão baixas. Eu espero poder rir disso e que no céu tenha pão.


EDIT 1. Então, faltando 8 dias para a estreia, um adendo se faz necessário. Renato foi entrevistado pelo O Globo e suas respostas levantaram mais dúvidas do que respondeu. Assim, estamos em um segmento onde pego os melhores momentos e comento com a realidade dos fatos em mim investida por ninguém.

“No programa, Didi e Dedé estavam tranquilos na vida, mas descobrem que terão dque ensinar os novos Trapalhões. Os quatro vieram de um outro planeta. No primeiro episódio apareço vestido de Yoda.”

O fato dos quatro serem de outro planeta explica como o Zacarias parece a mistura de um ET com uma estátua de cera em toda foto de divulgação. Além disso, aquele vídeo promocional nunca poderia acontecer, Didi Mocó nunca ensinaria alguém a usar o Youtube, mais provável chama-lo de “Utuba” ou algo do tipo.

“Nego do Borel fará o Tião Macalé”

Certamente ele é performático. Mas além de fazer um papel inimitável e emblemático, ele tem todos os dentes. Talvez funcione pros millennials.

“Sempre fiz o Didi. Ele é um cara livre, que vive do que ocorre em torno dele. Não precisa do cenário político, nem nada. Ele nem sabe o que é isso. Didi quer viver o dia de hoje como se não houvesse o amanhã.(...) Didi representa muito do povo brasileiro.”

Só aquele vídeo dele sacaneando o Hitler já poe isso por terra. Além disso, o box de DVDs lançado anos atrás tem uma quantidade razoável de esquetes onde Didi se utiliza do cenário político e social da época, seja falando de doenças que assolavam na época, seja mandando mensagens para os governantes da época ou até mesmo reclamando dos juros bancários. Mas isso era antes do programa ser mais voltado pra crianças, ter LP com foco mais infantil, querendo pegar um público mais jovem, algo que acontece gradativamente desde… 1987?

Sem falar que quem fala isso é a pessoa que usa e abusa da dicotomia rico x pobre ou referências a Chaplin durante toda sua carreira cinematográfica. Ele fez um remake de uma hora de O Garoto pra estrear uma reformulação do programa em 1992, minha memória não é curta.

Fora isso, o lado bom é que a biografia está pronta e sai em outubro, com 360 páginas. Não vou comprar na Bienal, mas tem mais páginas que a da Hebe, mas isso é assunto pra outro artigo. E há um filme novo pro ano que vem, que se seguir o exemplo do trabalho feito esse ano, poderá ser ótimo.



EDIT 2. O programa saiu. Ninguém gostou, como eu já imaginava. Eles literalmente estão replicando esquetes de sucesso antigas com o novo elenco. Esquetes novas envolvem Didi e Dedé e os resultados são em geral positivos, deu saudade de ve-los em algo novo. O elenco novo é esforçado, o que nem sempre funciona, mas garantiu alguns momentos positivos. Mumuzinho é possivelmente a melhor coisa entre os novatos, um responsabilidade enorme de fazer o Mussum e deu certo, dá até pra esquecer a polêmica que quiseram criar sobre o personagem não beber mais. Há espaço pra melhorar, há algumas coisas novas além da nostalgia, eu vi  primeira semana inteira de programas e a melhora é visível. Dedé Santana está brilhando em seus momentos.

Enfim, o grande público pode até gostar. Até aí na Nova Escolinha tem algumas coisas contestáveis e ninguém fala nada.



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